Setembro Amarelo em defesa da vida

Editorial / 01/09/2020 - 00h01

A Associação Internacional de Prevenção do Suicídio criou, em 2014, a campanha Setembro Amarelo e estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A meta era diminuir em 10% a taxa mundial até 2020. Mas na verdade, a criação da campanha é uma estratégia importantíssima para conscientizar milhões de pessoas sobre essa realidade muitas vezes camuflada e, sobretudo, suas formas de prevenção.

No Brasil, a iniciativa foi protagonizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O CVV tem uma expertise no tema há muito tempo. Desde 1962, a instituição atua gratuitamente nessa temática, sendo considerada uma das principais mobilizadoras do Setembro Amarelo. O CVV conta com o apoio da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio e de outros órgãos internacionais que atuam na causa.

Atualmente, o suicídio é considerado um caso de saúde pública. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos diariamente, taxa superior às vítimas da Aids e da maioria dos tipos de cânceres. Esse, sem dúvida alguma, tem sido um mal silencioso que afeta milhares de lares. Os ritos sociais são, sem dúvidas, um dos principais fatores que levam aqueles que são mais sensíveis, que têm a chamada dor d’alma a se esconderem e, sobretudo, de calar, de aprisionar seus sentimentos. Já a correria da vida, o egocentrismo da sociedade moderna são os antolhos que impedem o ser humano de enxergar a essência do próximo, ainda que este próximo esteja à sua frente.

Saber que, segundo a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser evitados, carece de reflexão. O que temos feito da nossa sociedade, que não estamos conseguindo evitar estas e outras tragédias diárias? Talvez, a pandemia da Covid-19, com toda a sua loucura, com o esfacelar de vidas, mas também com o frear da correria, tenha nos obrigado a olhar o outro com outro olhar, tenha nos ensinado a empatia, tenha nos obrigado à solidariedade, à gratidão...

Que setembro chegue trazendo não apenas a primavera, que colore a vida, mas traga-nos a conscientização necessária sobre tema tão profundo e doloroso. Que setembro seja ainda o prenúncio de novos tempos, do Novo Normal decretado pelo, enfim, fim da pandemia, mas, com a permanência dos ensinamentos que ela trouxe. Que a solidariedade e empatia permaneçam como essência desse tão necessário e desejado Novo Tempo. Vidas importam, sim, todas e cada uma delas!
 
 
 

 

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