O prefeito marajá

Editorial / 24/10/2020 - 00h01

Continuando o nosso conto, que está longe de ser de fadas... Quando os comerciantes começaram a falir, o prefeito, com medo de não ter mais dinheiro em caixa, decidiu reabrir alguns setores da economia. Autorizou a abrir restaurantes e bares, mas regras que praticamente impediam o funcionamento dos mesmos. E o comércio foi voltando aos poucos. Mas quando o povo decidia ultrapassar a quantidade permitida de pessoas aqui e ali, ele mandava multar... Essa foi a brilhante ideia. Ele reabria, com regras quase impossíveis de cumprir, e quem se atravesse a descumprir qualquer artigo dos loucos decretos do prefeito marajá era multado. As multas colocavam mais dinheiro na caixinha.

No entanto, alguns setores, como os das feiras livres, de eventos e mesmo clubes ou quadras esportivas ainda precisariam esperar a boa vontade do prefeito marajá de liberá-los para trabalhar e ganhar o “pão nosso de cada dia”. E eles pensavam: mas quanta insensatez! Se supermercados, bares e restaurantes podem funcionar, porque feiras, que são ao ar livre, não podem? Mas o prefeito marajá nunca recebia ninguém para esclarecer nada. E a população seguia sem rumo, esperando que o prefeito tivesse um lapso de bom senso e decidisse deixar o povo usar o livre arbítrio. Mas nada disso aconteceu.

Com a campanha eleitoral nas ruas e o prefeito marajá em busca da reeleição, muitos passaram a acreditar que essa história de prender o povo aqui e ali era para evitar que a população percebesse que o que andavam vendo nas TVs e rádios não era tão bonito quanto pintavam. Se as pessoas começassem a andar na cidade, iam enxergar os muitos problemas. Se as crianças voltassem para as escolas, sem uma merenda boa ou material didático, ou mesmo sem os prometidos uniformes, a reeleição poderia ir por água abaixo.

Mas água abaixo mesmo foi o asfalto que o prefeito marajá fez em algumas ruas. Sem aguentar as primeiras chuvas, soltaram como tinta e foram colorir os rios ou se transformar em pedra no meio do caminho de quem transitava pelos bairros mais distantes do centro. E o asfalto, então, se transformou em pedra no caminho para a reeleição.

E mais pedras estavam por vir no caminho do prefeito marajá que, permanecendo em casa, desconhecia o que se passava na cidade... Mas isso é outra história...

 

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