Em branco

Editorial / 17/11/2021 - 00h01

Sem celebrações, sem homenagens. A data que marca a Proclamação da República no Brasil tornou-se apenas mais um feriado. Nada de homenagens aos que lutaram para que o país deixasse de ser monarquia para se tornar República. A briga surda e cega instalada entre os três poderes da República, os mandos e desmandos dos políticos que têm colocado o povo à margem das decisões e não como foco, todos estes fatos e outros tantos vêm provocando o distanciamento da população, que desiludida com a República e com o país, já não celebra datas que fazem uma nação.

Escancarada a desarmonia existente, não entre as instituições, mas entre as pessoas que as comandam, vem trazendo graves consequências para o dia a dia do país, mas provocado, principalmente, sérios danos à democracia, tão recente por essas bandas. 

A falta de harmonia tem sido o principal combustível a aniquilar a independência que os poderes precisam ter para que a gestão do Brasil tenha como objetivo o cidadão e não interesses pessoais e escusos.

Embora em seus discursos os presidentes do Senado, Câmara Federal, do Supremo e o presidente da República tenham falas contundentes para afirmarem que são defensores da democracia, e mais, que os poderes se respeitam, a ação de cada um diverge completamente do discurso, provocando o abalo dos alicerces que são fundamentais para um país democrático, como o Brasil pretende ser.

Enquanto discursos e ações andam dissociados, dividindo não apenas opiniões, mas os cidadãos, a democracia segue ameaçada. Só a partir de uma consciência coletiva será possível colocar fim a esse briga de egos que tomou conta da República e, principalmente, trazendo de volta o respeito entre eles, mais do que isso, o respeito ao cidadão.

Que aqueles que foram eleitos para agir em nomes do povo, proteger a Constituição e a República, se conscientizem da importância dos papéis que precisam cumprir e passem a agir conforme os cargos que ocupam e as instituições que representam que são infinitamente maiores do que eles. Só assim o Brasil será não apenas República, mas nação.

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