Decretos do pânico

Editorial / 20/08/2020 - 00h01

Os decretos municipais em Montes Claros têm gerado mais pânico do que conseguido levar tranquilidade à população. Para os empresários, têm constituído um verdadeiro caos, já que podem amanhecer com o sagrado direito de manter as portas abertas mantido e, ao cair da noite, ao bel prazer da administração municipal, ter esse direito cassado.

Esse vai e vem, cassa e concede, não apenas demonstra o despreparo da administração para lidar com a pandemia e proteger a população, mas causa insegurança e danos irreversíveis a comerciantes, profissionais e, por que não dizer, à população no geral. Para comerciantes é anda mais complexo. Afinal, é uma correria para se adaptar e adotar todas as medidas determinadas nos decretos, com investimentos onerosos, empréstimos em instituições financeiras e outras tantas medidas. 

Após alguns dias, um novo decreto brota do nada e coloca tudo a perder. A revolta, o sentimento de injustiça então se instalam e todos se perguntam: quais critérios são utilizados pelo poder público municipal para tomar tais decisões, para mudar de opinião tão rapidamente e de autorizar abertura de um determinado setor e o fechamento de outro? Opinião, porque se estudo fosse, se planejamento houvesse, os passos seriam dados sem necessidade de retroagir. 

Mas de onde vêm essas opiniões? Seria do bom humor ou do mau humor de alguma figura da administração? Ou seria em função das amizades e inimizades com pessoas deste ou daquele segmento? Será medo de não ter feito o dever de casa direito, com a não estruturação da rede pública de saúde, para que o cidadão, frequentando ou não um bar, uma lotérica, uma academia ou a praça do bairro, recebesse, quando necessário, os cuidados e o suporte quando infectado pelo vírus?

Não se sabe, porque o poder público municipal não dá nem pistas de quais fatores foram analisados para se produzir os decretos. Nesta toada, o certo mesmo, é que o município, além de perder o controle sobre a pandemia, está perdendo a credibilidade junto aos cidadãos.

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