Dai de comer a quem tem fome

Editorial / 30/04/2021 - 00h22

A distribuição de cestas básicas para as famílias de alunos da educação municipal de Montes Claros, tão alardeada pelo poder público em 2020, está paralisada, deixando quase 30 mil famílias em situação de fome. Apesar da autorização do governo federal, expressa na forma da Lei nº 13.987/2020, para o município utilizar os recursos do PNAE para a compra e distribuição de alimentos para as famílias, pouco foi feito. 

O município que recebe cerca de R$ 2 milhões de recursos do PNAE distribuiu, desde o início da pandemia da Covid-19 e consequente suspensão das aulas presenciais nas escolas, cestas básicas para as famílias dos alunos apenas duas vezes. Coincidência ou não, as distribuições aconteceram em 2020, sendo a última, em outubro, durante o período de campanha eleitoral e às vésperas da população ir às urnas.

Problema nenhum, já que a fome não tem hora e garantir a alimentação dessas famílias é muito mais importante do que qualquer política. Estranho mesmo é o fato de a distribuição não ter acontecido nenhuma vez após as eleições.

Enquanto a prefeitura, que contabiliza mais de R$ 150 milhões nos cofres públicos, se esconde atrás de licitações, de falta de recursos e de uma montanha de outras tantas desculpas, as crianças que deveriam receber essas cestas básicas, que garantiam a elas uma alimentação digna, seguem algumas passando fome e, outras, dependendo da boa vontade deste e daquele para se alimentarem.

Sem qualquer sensibilidade para a situação, o município se limita a informar que está dando início ao processo licitatório e ainda faz campanha para arrecadar alimentos a serem distribuídos à população mais carente. Na realidade em que temos vivido, quando muitos perderam suas rendas, a sensação que se tem é a de que os responsáveis por cuidar da população têm se esquecido dela... 

E assim, enquanto os impostos enchem o caixa do município, o cidadão, que deveria ser o foco primeiro de uma administração, segue com fome... Fome de comida, mas também fome de assistência, de cuidado, de receber de volta os impostos pagos!

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