Crime desumano

Editorial / 31/05/2017 - 20h07

Nos últimos cinco meses, pelo menos 32 pessoas foram vítimas de estupros em Montes Claros.

Os dados são do 11º Departamento de Polícia Civil de Minas Gerais. No ano passado, foram 81 casos (contra 73, em 2015). Das 32 agressões sexuais registradas de janeiro a maio deste ano, 7% são do sexo masculino (veja mais dados na página 05).

A cultura do estupro é algo que remontaria à era das cavernas. Basta nos lembrarmos do arquétipo macho de corpo peludo arrastando a mulher pelos cabelos que as ilustrações de livros e revistas consagraram.

Em nossas quadras, até 1975, o pensamento, sempre machista, era de que a mulher estuprada contribuiria com a agressão por não resistir a ela. Cabia à vítima provar que não cedera à tara do violentador. Que lutou até os seus limites contra o estupro.
À mulher cabia, ainda, a culpa do crime pelo modo de se vestir, “provocante” e que suscitaria a ação do agressor.

A máxima só foi combatida (em 1975) com a publicação de um livro (pela feminista norte-americana Susan Browmiller) que se tornaria um marco na defesa dos direitos da mulher.
Mas, ainda hoje essa “opressão masculina”, como observara Susan, tem sido utilizada pelos estupradores na tentativa de saírem impunes do crime hediondo. Sim, o estupro é um crime hediondo - termo que significa “um ato repugnante, imundo, horrendo, sórdido, indiscutivelmente nojento”. Ou seja, desumano.

É preciso estancá-lo. Não dá mesmo para conviver com esta aberração.

 

Publicidade
Publicidade
Comentários