Cativeiro

Editorial / 30/11/2021 - 00h10

Depois de quase dois anos em cativeiro em função de um vírus, o ser humano retorna à sua rotina, ao seu habitat. Todo esse tempo passado em casa, em distanciamento social, obrigados a ficar longe de familiares, de amores e de tantas coisas que levam ao desejo de querer viver, é hora de repensar as nossas atitudes com os outros animais.

Depois de sentir como viver enclausurado pode ser nocivo à saúde física e psicológica, manter animais em zoológicos, jaulas, gaiolas ou qualquer outra forma de privação de liberdade sob a desculpa de proteção contra a extinção já não será mais permitida e nem aceita. 

Mudanças serão mais do que necessárias, serão fundamentais para que a humanidade possa coexistir em paz com outros seres.

A experiência vivenciada por toda a humanidade precisa transcender e promover uma transformação na relação com outros seres vivos. Todos sentiram na pele que a clausura, quando imposta, é praticamente uma morte, uma morte ainda mais cruel do que talvez a morte pela arma de algum caçador, já que é uma morte lenta e muito mais dolorida.

Porque é uma morte provocada por ausências e por saudade. Saudade de ir e vir, ausência de amigos, família, tribo, manada, saudade de casa...

Se a importância da liberdade, dos relacionamentos, da família foi lição aprendida em dias de isolamento, que esse aprendizado sirva de bússola para repensarmos como temos tratado quem não é da raça humana. 

Urge que ações sejam tomadas, que leis sejam criadas e, mais do que isso, que o homem reconheça a necessidade de proteger esses outros seres de uma maneira menos danosa. 

Protegê-los em seus habitat, onde estão em casa e junto do seu grupo, talvez seja a melhor e mais eficaz forma de cuidar. Porque cuidar vai além de proteger, é promover saúde, paz e, sobretudo, felicidade. 

Que a pandemia tenha deixado mais do que dores, que possa ser esperança, mais do que isso, que possa ser o prenúncio de uma sociedade mais humana.

 

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