A campanha “Setembro Amarelo”, iniciada no Brasil em 2015, tem por objetivo nos conscientizar acerca da triste realidade do suicídio. De acordo com o relatório Suicide Worldwide in 2019, da OMS, publicado em 17 de junho de 2021, todos os anos mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios. Em 2019, mais de 700 mil pessoas morreram por suicídio: uma em cada 100 mortes. No Brasil, em 2020, foram 12.895 registros de suicídio, um caso a cada 41 minutos. Em números absolutos, Minas Gerais ficou em segundo lugar no ranking, com 1.656 casos. 

Dados do Samu mostram que, em 2020, em Montes Claros, foram atendidas 2.375 pessoas em surto psicótico, tentativa ou ideação suicida ou em transtornos psicológicos como depressão e crise de ansiedade.

A escolha da cor amarela tem uma história. Em 1994, Mike Emme, um adolescente norte-americano de apenas 17 anos, cometeu suicídio. Mike possuía um Mustang 68 e o pintou de amarelo. Seu carro passou a ser conhecido por “Mustang Mike”. Infelizmente, a família de Mike não percebeu seus problemas emocionais e não conseguiu ajudá-lo. No dia do velório, cartões decorados com fitas amarelas foram colocados em uma cesta. Dentro desses cartões tinha a mensagem: “Se você precisar, peça ajuda!”. O laço amarelo, portanto, carrega o sentimento de quem deseja ajudar aqueles que parecem ter perdido o sentido da vida.

A pergunta central no coração do ser humano é: qual o sentido da vida? Essa é uma pergunta substancial da existência humana que precisa ser respondida com temor. Se observarmos as várias propostas que os homens têm apresentado ao longo dos séculos, as respostas vão variar muito.

Alguns acham, por exemplo, que o sentido da vida está em gozá-la com os prazeres, especialmente aqueles ligados ao corpo: o sexo, a bebida, a comida etc. Outros, de maneira oposta, pensam que o sentido da vida está em se isolar do mundo e dos prazeres do corpo para buscar a espiritualidade. Há, ainda, outras posições mais ou menos radicais. 

Todavia, as Escrituras Sagradas nos encaminham para uma resposta que nos parece mais satisfatória: nossa vida existe para gozarmos de todas as coisas que Deus criou para nós, com alegria intensa e para prazer do próprio Deus.

Está muito equivocado quem pensa que a alegria não faz parte do cenário cristão e que a austeridade é o selo do cristianismo. Não é. A vida cristã é uma vida livre de prisões e, por isso, ela deve ser vivida com alegria intensa ao aproveitar das coisas que Deus, desde a criação, nos deu para nosso benefício (Gênesis 1.28-31; 2.9).

Nosso Deus demonstrou prazer ao terminar a sua obra, indicando-nos que o trabalho, ou nossa vida ativa, não deve ser pensada sob o olhar do sofrimento somente (Gênesis 2.1-3). Cristo se alegrou com seus discípulos (João 2.1-12). Ele demonstrou que a alegria genuína e o sentido da nossa vida estão arraigados em sua própria alegria (João 15). 

O sentido da nossa vida não está nas coisas que possuímos (Lucas 12.15). Não está preso aos afetos familiares (Salmo 27.10). Nem muito menos nos padrões religiosos que nós criamos (Colossenses 2.16-23). A verdadeira razão de nossa existência está em nos alegrar intensamente com o Senhor, motivo de nosso viver (1 Pedro 1.6-9).

Devemos compreender essa necessidade que temos. Devemos nos alegrar nas coisas que foram criadas para nós. Nessas coisas reais encontramos prazer. Vivamos para pensar em Deus e nas coisas boas que Ele nos deu (1 Coríntios 10.31). Encontre o sentido e depois ajude aqueles que perderam o rumo e que insistem em depositar suas esperanças em outras coisas além de Deus a encontrarem o real sentido de viver.