Todo recomeço é difícil. Pense naquela pessoa que tinha certa estabilidade financeira e que perdeu quase tudo em razão de um roubo ou de má administração de seus funcionários. Ou naquela outra que, em razão de uma separação conjugal traumática, precisou conviver com a dor do afastamento e da perda e com a crise dos filhos que não entenderam o processo. Pense naquela mãe que esperou seu filho por nove meses, mas não pode levá-lo para casa porque, por uma complicação no parto, ele não resistiu e faleceu no hospital algumas horas depois de nascer.

São muitas situações dramáticas e traumáticas que acontecem todos os dias e que nos fazem refletir sobre o desafio do recomeço. Não sei se você já passou por situação semelhante descrita acima ou se por algo muito pior. Mas talvez você ainda nem tenha experimentado um trauma capaz de tatuar em sua vida marcas inapagáveis. A má notícia é que, provavelmente, em algum momento da sua vida, você poderá ter algum tipo de perda que deixe em seu coração a incerteza do recomeço.

Quase sempre há momentos nos quais você pensa em desistir e nunca mais recomeçar. Há pessoas que levam às últimas consequências e resolvem dar fim à própria vida. Elas acham que o suicídio é uma forma de aliviar a dor daquele momento e de não terem a necessidade de conviver com a pressão de si mesmo e das pessoas para que elas recomecem.

Todo recomeço é difícil. Optar por certos caminhos, fazer determinadas escolhas que antes não eram comuns para você pode trazer sérios desconfortos. É um tipo de recomeço. Ter de lidar com crises de consciência – que é quando você sabe o que é o certo a fazer, mas opta por fazer o contrário disso – é um problema que impõe a você, em algum momento, a necessidade de recomeçar.

As Escrituras Sagradas falam muito sobre recomeço. Um exemplo foi o rei Davi (2 Samuel 11 e 12). Ele teve um caso de amor extraconjugal com Bate-Seba e ela engravidou. Davi tomou providências estranhas, como mandar matar o marido dela, Urias, a fim de tomá-la para si. Planejou e providenciou pessoalmente tudo, com muito zelo. Colocou o bravo soldado Urias na linha de frente de batalha para que morresse. Davi sabia que Urias morreria, e fez isso sem pudor, com o objetivo de esconder seu adultério. Mas ele foi confrontado pelo profeta Natã que escancarou sua podridão de alma e mostrou a ele a sordidez de sua atitude.

Davi reconheceu o seu pecado. Arrependeu-se sinceramente. Deus o castigou, tirando a vida de seu filho nascido de Bate-Seba. Davi sofreu e chorou profunda e dolorosamente. Todavia, após a morte do filho, Davi se reergueu. Ele deixou de chorar. Reconheceu a graça de Deus sobre sua vida e parou de se condenar. Ele reconheceu o perdão como recomeço. Alegrou-se. Soube o momento de sofrer. Mas, mais ainda, o momento de se reerguer e sorrir.

A vida é assim para todos nós. Não importa que tipo de trauma sofremos. Deus pode nos trazer de volta à esperança. Não vamos conseguir por força própria. Davi não conseguiu sozinho. Davi só conseguiu porque soube receber a repreensão do Senhor por intermédio de Natã bem como apropriar-se do perdão e da graça divinos. As Escrituras nos dizem que Cristo, que é Deus, ofereceu a todos nós essa confiança do recomeço. Nele, todas as coisas são novas. Nele, não há incertezas. Nele, o que era velho se tornou novidade.