Eu nunca estive perto da morte, pelo menos que eu saiba (imagino que Deus tenha me livrado de muitas situações nas quais poderia ter morrido não fosse esse livramento). Mas ainda que nós nos vejamos como perdedores de algo nesse mundo, no salmo 119.1, lemos: “Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor”. Então, há um caminho: o caminho da felicidade é temer a Deus e andar em suas trilhas. Aceitar os mandamentos do Senhor é estar no caminho para ser feliz. Rejeitar a correção do Senhor é procurar, para si mesmo, a infelicidade. Rejeitar o caminho do Senhor é ignorar seus juízos retos e verdadeiros. Se alguém, portanto, rejeita o que é reto e justo, encaminha-se para o que é mal. 

A desobediência aos preceitos do Senhor gera infelicidade. Daí o provérbio que lemos dizer: “... o que endurece o coração cairá no mal” (Provérbios 28.14). Endurecer o coração é rejeitar a instrução do Senhor, como fez Faraó (Êxodo 7-9). Quando ouvimos a sua voz, mas não aceitamos sua instrução, seu ensino, sua rota, caminhamos invariavelmente para o mal. Todas as nossas escolhas trazem consequências. O salmo 95.7 afirma: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração...”. O escritor aos Hebreus, citando o salmo 95.7, também afirmou: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo” (Hb 3.12). 

Se você deseja ser feliz de verdade, deve ouvir a voz do Senhor nessa polifonia universal, e não endurecer seu coração, mas temer a Deus. Lembre-se de que a noite é sempre mais escura perto do amanhecer. Haverá momentos sombrios e tensos. Mas o amanhã virá e trará consigo flores e frutos, por meio dos quais Deus consolará seu coração e lhe mostrará que há mais sentidos no nosso existir do que pensamos por nossas limitadas sensações. 

Gosto do que afirmou C. S Lewis a respeito dos três tipos de pessoas que existem no mundo: as que vivem apenas para o seu próprio prazer e benefício e consideram o ser humano apenas como matéria-prima para ser usada da forma que bem entender a elas; as que reconhecem alguma autoridade sobre elas – a vontade de Deus, o imperativo categórico ou o bem da sociedade (como os racionalistas, pragmáticos e utilitaristas) e com isso tentam buscar seus próprios interesses; e as que rejeitaram todas as exigências do ego, revirando, recondicionando e transformando todo o velho egoísmo em algo totalmente novo e que são capazes de dizer, como o apóstolo Paulo, “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Filipenses 1.21). 

Pois bem: essas últimas pessoas são as que são verdadeiramente felizes. Não porque elas possuem algo material ou estejam numa situação favorável, mas porque compreenderam que suas vidas têm um propósito para além da matéria e da utilidade, para além das circunstâncias e das formas, que compreenderam sua própria dimensão e se voltaram para o Autor e consumador da vida.

Essas pessoas aprenderam que a verdadeira felicidade consiste naquilo que o apóstolo Paulo afirmou em Romanos 12.1-2: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Não é a experiência que nos define nem define nossos projetos. A experiência é consequência daquilo que afirmo em meu coração e professo com o meu comportamento diário, meus hábitos.

O cristão é um ser vivo, que nasceu de novo, pelo poder de Deus, em Cristo. O sacrifício do cristão não é um sacrifício mecânico, mas vivo – é intencional, racional, objetivo, coerente. O cristão não é manipulado nem alienado, mas consciente de suas limitações, e também de seu potencial. Ele busca a Deus e vive para a glória dele em tudo: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). Nisso consiste a verdadeira felicidade e a verdadeira vida. Nisso está o verdadeiro sentido da vida.