O Dia Nacional do Diabetes, celebrado hoje, 26 de junho, é data importante para refletir sobre a conscientização da população a respeito da doença que acomete 8,9% dos brasileiros, com um aumento de 60% entre 2006 e 2016, segundo o Ministério da Saúde. O mais alarmante é 50% dos diabéticos desconhecerem o diagnóstico e, portanto, sendo fundamental indagar: o que os brasileiros sabem sobre a doença?

O médico Areteu viveu até 138 d.C., na Capadócia, e cunhou o termo diabetes. O nome grego significa “passar através de um sifão”, pois, para o médico, as pessoas com diabetes comiam e bebiam muito, contudo, tudo que entrava pela boca era eliminado na urina. Por volta de 1670, o inglês Thomas Willis foi outro médico a acrescentar evidências ao que se sabe hoje sobre a doença. Após experimentar urina de pessoas que apresentavam sintomas similares, ele constatou ser fortemente adocicada.

Dois séculos depois, o químico francês M. Chevreul provou que o açúcar dos indivíduos com diabetes era, na verdade, glicose. A partir desses relatos, foi um pulo para outros especialistas definirem o nome diabetes mellitus, sendo que a segunda palavra, em latim, significa mel ou adocicado.

O diabetes é uma doença crônica, hereditária e não transmissível, causada pela falta, má absorção ou resistência à insulina. Basicamente, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que permite às células receberem glicose para ser transformada em energia. A insulina é fundamental para o bem-estar do organismo, uma vez que sem energia, o corpo não funciona adequadamente.

O diabetes tipo 1 ocorre quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma quantidade do hormônio. Apesar de acometer pessoas em qualquer idade, esse tipo é mais comum entre crianças e adolescentes. O quadro evolui progressivamente e inclui, entre os principais sintomas, sede, fome e diurese excessiva, fraqueza, emagrecimento considerável e sonolência.

Já o tipo 2 é o mais comum, abrangendo 90% dos diabéticos. A pessoa não consegue usar adequadamente a insulina produzida ou produz insuficientemente. A instalação da doença é mais lenta e é comum sentir sede, dores nas pernas, aumento da diurese, feridas que demoram a cicatrizar e infecções frequentes na bexiga, pele e rins.

Ainda existem outros tipos de diabetes mellitus, como o gestacional, quando a efetividade da insulina produzida é menor. Normalmente, o diagnóstico da doença é feito com três exames: a glicemia de jejum para medir o nível de açúcar no sangue; a hemoglobina glicada para uma média dos valores de hemoglobina no sangue e a curva glicêmica para a velocidade com que o corpo absorve a glicose após o processo digestivo. O tratamento do diabetes controla a quantidade de glicose presente no sangue a partir da aplicação diária de insulina e uso de medicamentos por via oral.

A genética e fatores como sobrepeso, obesidade, sedentarismo e ausência de alimentação saudável aumentam a chance de ocorrência da doença. É fundamental manter hábitos saudáveis, reduzindo a ingestão de açúcar, sal e gorduras, com práticas regulares de exercício físico e evitando o cigarro, por exemplo. O brasileiro deve, desesperadamente, mudar hábitos de vida, pois é como a expressão sugere: “melhor prevenir que remediar”.

*Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais