O tema educação provoca sentimentos múltiplos e divide opiniões, sobretudo políticas. O ponto de desequilíbrio é, quase sempre, o econômico, que, aliás, é o ponto de convergência de teorias reducionistas que afunilam a realidade humana em uma ingênua e fictícia antítese econômica. Fala-se em “investimento em educação” como se dinheiro fosse a solução para os problemas de caráter e de formação que alimentamos há séculos. Parece que construir escolas e abarrotá-las de profissionais é o mesmo que oferecer às pessoas a oportunidade de desenvolverem sua humanidade.

Outro desequilíbrio é quanto à perspectiva sobre de onde parte o ensino: do aluno ou do professor. Quem ensina quem? A resposta a essa pergunta também reflete apenas posições políticas extremadas e defesas medonhas de projetos fracassados que, pensando em dar liberdade a mentes aparentemente inocentes, alimentam a destruição de alicerces milenares.

Pouco se fala na domesticação propagandística que não encontra valor na realidade, mas apenas joga com palavras inventadas para servir a ideologias.

Educadores que reduzem a realidade a aspectos particulares são manipuladores que querem sacrificar uma história real para construir labirintos mentais e confundir seus alunos. Um educador legítimo deve ter sua expectativa de influência e transformação alinhada com as realidades com as quais convive e, de certo modo, acima de teorias reducionistas. O mundo é real e ele deve lidar com coisas reais. O mundo é inteiro e ela deve lidar com a integralidade do mundo. Nunca será possível ensinar algo a alguém que não lhe seja real e não lhe faça sentido. 

Quando escrevo “sentido”, apelo para as sensações do indivíduo. Não anulo, obviamente, a razão. Ela é mestra. Mas sabemos que o aprendizado não se dá apenas pelo cognitivo, pelo racionalizado, pela mente, mas, também, pelas sensações, por aquilo que nos afeta. É preciso ver, ouvir, falar e sentir. Deve haver uma relação amorosa entre a vocação cerebral e a visceral. 

Talvez, mais importante do que aprender inicialmente a escrita de partituras, seja ouvir primeiramente a música que está sendo tocada. Mais importante que cálculos exponenciais, seja a premissa do diálogo e da boa convivência entre as pessoas. Princípios são mais importantes que regras. Como escreveu C. S. Lewis, em “A abolição do homem”, “sem o auxílio das emoções treinadas, o intelecto é impotente”. A moralidade construída no caráter será base para um cérebro ativo e uma mente com convicções virtuosas.

Decifrar as realidades universais é um bom começo para combinar a expectativa, por parte de quem ensina, de transformar realidades individuais. A educação que transforma realidades é a educação que interage, não a que reage. É aquela que propõe saídas para as crises de caráter vivenciadas pelos educandos, não a que incentiva tais crises.

O educador legítimo se esforça para mostrar as relações entre ideias e preceitos, os conflitos e as alternativas, os valores reais e os inventados. Ele não destrói a tradição nem pretende inovar. Ele sabe que há valores reais, ainda que alguns, inutilmente, querem se abster de juízos de valor, contraditoriamente escolhendo seus próprios valores para elegê-los superiores. “Você tem razão, desde que concorde comigo”. Nas palavras de C. S. Lewis, “a tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos”.