Policarpo foi um dos pastores cristãos da igreja em Esmirna. Ele viveu entre 69 e 155 d.C. e, de acordo com Irineu e Tertuliano, foi discípulo do apóstolo João e ordenado pastor por ele, embora alguns estudiosos atribuam ao apóstolo Paulo a maior influência sobre a teologia de Policarpo. Pouco se sabe dele, mas biógrafos o descrevem como um homem gentil, com destaque à sua piedade pessoal e pastoral.

Policarpo viveu numa época muito difícil em Esmirna. Os apóstolos eram mais velhos e estavam morrendo, especialmente por perseguições, e os crentes que conseguiam sobreviver aos tiranos anticristãos deveriam dar testemunho da sua fé em Jesus Cristo, enfrentando, inclusive, a morte, se necessário fosse (cf. Apocalipse 2.10).

Irineu, em Contra as heresias, afirmou que Policarpo “sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos” e que ele “foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança do que Valentim e Marcião e os outros perversos doutores” (3, 2-4).

A narrativa sobre a morte de Policarpo é conhecida por uma carta escrita, por volta do ano 400, a partir da Igreja de Esmirna por um autor anônimo, que se fez passar por Piônio de Esmirna (morto em 250 d.C.). Ela foi endereçada à Igreja de Filomélio, em 155 d.C. A partir desse documento, temos detalhes dos momentos que precederam a morte de Policarpo e o seu rico e exemplar testemunho.

Houve terrível perseguição em Esmirna. Policarpo estava escondido fora da cidade, mas os guardas prenderam dois escravos. Um deles foi torturado até que revelasse o paradeiro de Policarpo. Aos 86 anos de idade, Policarpo foi preso por Herodes, chefe da polícia, que tentou persuadi-lo a negar Jesus Cristo.

As palavras de Herodes foram: “Jura, e eu te liberto. Amaldiçoa o Cristo!”, ao que Policarpo respondeu: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?”.

Herodes continuou ameaçando Policarpo, jurando lançar feras contra ele. Mas Policarpo se manteve firme, dizendo que era impossível mudar de ideia quanto à sua fé em Jesus Cristo. O chefe ameaçou queimá-lo vivo. Policarpo se lembrou de um sonho que teve três dias antes de o prenderem sendo queimado vivo e respondeu: “Tu me ameaças com um fogo que queima por um momento, e pouco depois se apaga, porque ignoras o fogo do julgamento futuro e do suplício eterno, reservado aos ímpios. Mas por que tardar? Vai, e faze o que queres”.

Percebendo que Policarpo não mudaria de ideia, os presentes gritaram para que Policarpo fosse queimado vivo, e Herodes, então, o queimou vivo na presença de todas aquelas pessoas. Nessa hora, Policarpo orava: “Eu te bendigo por me teres julgado digno deste dia e desta hora, de tomar parte entre os mártires, e do cálice de teu Cristo, para a ressurreição da vida eterna da alma e do corpo, na incorruptibilidade do Espírito Santo”.

Houve homens que morreram por defender a sua fé. O mundo não é digno da presença de alguns deles. Homens que foram exemplos de coragem e dignidade. Mantiveram a certeza, apesar das circunstâncias adversas. No fundo eles sabiam que, apesar do sofrimento presente, havia um significado muito maior naquilo pelo que lutavam. Não era uma simples ideologia ou a defesa de pessoas, era a razão de suas próprias vidas.