Usuário paga a conta de ‘guerra’ entre prefeitura e MocBus

Passageiros reclamam de demora dos ônibus e superlotação; município alega não poder multar

Márcia Vieira
Publicado em 11/02/2022 às 08:40.
NINGUÉM ASSUME – Tarifa subiu de R$ 3,20 para R$ 3,75; procurador diz que valor foi decidido em conjunto com o consórcio, mas MocBus afirma que reajuste é de responsabilidade apenas da prefeitura (Leo Queiroz)
NINGUÉM ASSUME – Tarifa subiu de R$ 3,20 para R$ 3,75; procurador diz que valor foi decidido em conjunto com o consórcio, mas MocBus afirma que reajuste é de responsabilidade apenas da prefeitura (Leo Queiroz)

Usuários do transporte coletivo urbano em Montes Claros reclamam dos constantes atrasos e da superlotação dos veículos. Com a tarifa a R$ 3,75, desde janeiro de 2022, a dona de casa Cássia R. diz que esperava um serviço mais eficiente. Em tratamento ortopédico, ela reclama que não pode caminhar longas distâncias e frequentemente usa o transporte do bairro Morada do Parque até o Centro para ir às consultas.

“Não é fácil tirar esse dinheiro do bolso para pagar um serviço sabendo que estarei mais exposta aos riscos da Covid-19 ao usar o transporte público. Estou em tratamento médico e preciso me deslocar para consultas. Ou seja, de um lado existe a situação de cuidado, mas, ao mesmo tempo, para tratar de um problema, posso provocar outro e arriscar minha vida, mas não tenho alternativa”, diz.

“Sou usuária das linhas 4701 e da 5803. Essa raramente passa e quando o faz está sempre atrasada. A 4701 está sempre lotada e às vezes nem para no ponto de tão cheia. Chego atrasada ao trabalho, com muito stress e preocupação”, lamenta M.S.F. 

As linhas citadas fazem o trajeto entre os bairros Acácias e Major Prates e Belvedere e Sapucaia, respectivamente. 

 EMBATE
O problema estaria ocorrendo pela pouca quantidade de veículos circulando. De acordo com a administração municipal, a demanda mínima de 90 ônibus não é cumprida pelo Consórcio MocBus, que tem a concessão do serviço.

O procurador Otávio Rocha afirmou que de acordo com recomendação do Ministério Público já em fevereiro deveria estar em prática a recolocação da frota, entretanto, em inspeção realizada pelo município, foi constatada a defasagem do serviço. O procurador informou que a responsabilidade de repor os ônibus é do Consórcio e que a tarifa, que aumentou de R$ 3,20 para R$ 3,75, foi decidida em conjunto com a MocBus.

“O estudo indicou que a tarifa cobre os custos da operação e ainda permite lucro. O município está agindo, mas em virtude de uma decisão judicial, que esperamos que caia, não podemos aplicar multas ao consórcio”, disse Otávio, ressaltando que, caso as reade-quações não sejam feitas pelo consórcio, o município poderá rever a tarifa.
 
O QUE DIZ A MOCBUS
“Estamos cumprindo o contrato. Nas últimas semanas tivemos uma defasagem nos nossos colaboradores (motoristas e cobradores), afastados por estarem com Covid ou influenza. Temos cem ônibus disponíveis, só que devido ao alto número de atestados esse número no momento está defasado. Assim que essa situação se normalizar, automaticamente regularizaremos também o número de veículos circulando, que são cerca de 80”, diz João Neto, Gestor de Comunicação e Marketing da MocBus.

Questionado sobre o valor da tarifa, o gestor pontuou que o prejuízo, em torno de R$ 30 milhões, ocasionado pela redução do serviço durante o pico da pandemia, foi minimizado, mas não resolveu a situação. Ele diz que o aumento da tarifa foi uma decisão unilateral da prefeitura e o consórcio não teve participação.

Sobre a superlotação dos ônibus, João Neto afirmou que ela existe “somente nos horários de pico” e que o motorista não tem autonomia para impedir que o passageiro acesse o ônibus, não podendo deixar pessoas esperando no local. 

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