A profissional de beleza Ester Nunes relata que passou por uma situação de risco enquanto praticava atividade física no Parque Municipal Milton Prates, em Montes Claros. Segundo ela, o espaço foi ocupado por tutores de cães de grande porte e de raças consideradas agressivas sem o uso de focinheira, item de uso obrigatório por lei.
Acompanhada da mãe, ela fazia caminhada quando foi surpreendida por um pitbull que escapou da coleira do tutor e veio em sua direção. “Perto de mim havia uma mulher com um cãozinho menor e ele acabou atacando esse cão. Consegui escapar, telefonei para os órgãos responsáveis e nenhum deles se responsabilizou”, conta Ester, que optou por não frequentar mais o parque. Outros relatos apontam que no Parque Sagarana situações semelhantes também aconteceram e tem sido corriqueira a presença de tutores que levam os cães sem o equipamento de proteção.
No último domingo (11), nas redes sociais, um vídeo trazia a imagem de um cão, supostamente um Pitbull, circulando livremente pelo bairro Guarujá/Planalto. Recentemente, a mesma situação ocorreu no bairro Independência. A moradora do Planalto, Leila Ferreira, relata que já foram feitas todas as reivindicações possíveis e ninguém tomou providências. “Já notificamos a prefeitura, zoonoses e corpo de bombeiros, mas ninguém tomou providências ainda. Cada um passa a responsabilidade para o outro. Então continua o risco para nós, moradores desse bairro”, diz.
Conforme o relato, Leila e a filha já foram vítimas de mordida de cães e, sendo Pitbull ou não, a situação representa perigo. “Fui mordida por cachorro de rua e sofri muito. Fiquei quatro meses para me recuperar, usando antibióticos dos mais caros, e não melhorei enquanto não fiz uma pequena cirurgia para retirada de tecido necrosado”, conta.
A Lei Municipal n.° 3.216/2004 institui regras para a posse ou condução responsável de cães de raça agressiva, tornando obrigatório o uso da focinheira, além da coleira, guia de condução e enforcador. O tutor flagrado nessa situação será multado e penalizado penal e administrativamente. Cabe ao município fiscalizar e proteger o cidadão em logradouros públicos. No caso de cães perigosos nas ruas, o Corpo de Bombeiros é a instituição responsável pelo salvamento e captura de animais em risco ou que ofereçam risco à população. Depois da captura, os animais são encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o qual é o responsável por receber esses animais. Entretanto, a corporação tem encontrado resistência do CCZ no desfecho da situação e muitas vezes conta apenas com auxílio de ONGs. Em 2024, foram 102 registros relacionados à captura de cão perigoso/agressivo. Em 2025, 103 registros e, até esta data, 13 de janeiro de 2026, já aconteceram três atendimentos dessa natureza.
Para a protetora I.R., a repetição das situações demonstra a inoperância do município frente a uma situação na qual o órgão é o principal responsável. “Eles devem ter um lugar, um abrigo, preparado para essas situações e estão fugindo da responsabilidade”, diz.
A prefeitura foi procurada e, por meio de nota, informou que tem desenvolvido campanhas de conscientização e orientação aos tutores para a condução de cães com utilização dos acessórios de proteção, e irá penalizar aqueles que infringirem a lei. Um vídeo informativo disponibiliza o telefone (38) 2211-3334 para a população fazer denúncia. Sobre medidas imediatas de proteção à população, como vigilância permanente nos parques, canal de denúncias fora do horário comercial e uma possível resistência do CCZ em receber os animais capturados na rua, não houve retorno até o fechamento da edição.