Empresários entram na briga por transporte melhor em MOC

Entidades de classe enviaram carta à prefeitura pedindo mudanças no sistema de transporte público: passageiros já reclamam há anos

Márcia Vieira
12/05/2022 às 00:55.
Atualizado em 12/05/2022 às 11:04
Pontos lotados, ônibus atrasados e em precárias condições: essas são as principais reclamações dos passageiros, que ganharam agora o apoio dos empresários na luta por um serviço de mais qualidade (márcia vieira)

Pontos lotados, ônibus atrasados e em precárias condições: essas são as principais reclamações dos passageiros, que ganharam agora o apoio dos empresários na luta por um serviço de mais qualidade (márcia vieira)

Alvo constante de reclamações por parte dos passageiros, o transporte público de Montes Claros agora está na mira de entidades representativas do setor econômico da cidade. Impactados pelo serviço considerado precário, empresários que fazem parte de instituições, como a Associação Comercial e Industrial (ACI), realizam um movimento para pedir à prefeitura e ao Ministério Público uma solução para o problema que se arrasta há anos e que piorou muito com a pandemia.

“Com o transporte precário, as pessoas evitam sair para resolver os problemas e fazer compras, então, todo o comércio é afetado. As empresas também sofrem diretamente com isso, pois em alguns casos, os funcionários não conseguem chegar na hora nem ir embora com tranquilidade no fim do expediente. Isso gera uma série de situações difíceis, tanto para as empresas como para os colaboradores”, afirma o empresário Adauto Marques Filho, que tem uma média de 30 funcionários em sua padaria e participa da Diretoria Jovem da ACI, que endossou o documento.

Descumprimento de horários, ônibus em condições ruins e muito cheios em horários de pico estão entre as reclamações dos passageiros. Na praça Dr. Carlos, área central da cidade, que serve de embarque e desembarque para diversas rotas, as reclamações vão desde veículos sem conforto ao atraso no percurso e poucos carros circulando.

A atendente Maria Cristina Cardoso conta que foram inúmeras as vezes em que ficou em dívida com a empresa com relação ao horário de trabalho por causa dos atrasos dos ônibus. E a situação, segundo ela, desencadeia outras tantas, como atrasos na hora de ensinar a tarefa da escola ao filho. 

Moradora da Vila Áurea, ela ainda enfrenta outro desafio: o bairro não é atendido pelo transporte público, o que a obriga a caminhar até o Eldorado, bairro mais próximo. Como ela, outros fazem o deslocamento, o que gera atrito com moradores daquele bairro, que querem a prioridade no acesso ao ônibus.

“Tenho que ir ao Eldorado ou até a avenida João XXIII. Caminho a pé cerca de 10 minutos para chegar ao ponto. O ônibus tem que passar às 7h45, mas só chega às 8h. Fica muito cheio porque leva também todas as outras pessoas que vão até a avenida por não terem ônibus circulando em seus bairros. Com isso, as pessoas que moram onde o ônibus passa brigam conosco, porque sentem como se a área deles fosse invadida”, explica.
 
CARTA
Atento a todo esse drama dos próprios funcionários, o empresário Ricardo Alencar, da diretoria da ACI e proprietário de uma rede de padarias, iniciou o movimento para tentar chegar a uma solução.

“Durante a pandemia reduziram o horário tanto na parte da manhã como no final do dia. A nossa estratégia foi encaminhar uma carta a quem tem o poder de solucionar o problema. A sugestão é voltar com o (quadro de horários) que era antes”, diz o empresário, que ainda não recebeu sinalização da prefeitura.

O comerciário Lucas Alberto avalia que há a necessidade de as empresas colocarem mais carros circulando, caso contrário, o problema não será solucionado. “Saio do serviço às 21h e o ônibus só passa às 22h20 no ponto. Demora muito à noite. O intervalo de tempo entre os veículos é grande”, lamenta.

Sem equilíbrio
Gestor de Comunicação e Marketing do Consórcio MocBus, João Neto informou que há um déficit financeiro no contrato entre as empresas e município e a prefeitura não criou medidas para se chegar ao equilíbrio. Desse modo, para que o pleito das entidades classistas seja atendido, a solução seria a prefeitura subsidiar a operação do sistema de transporte público em Montes Claros.

“Para operar o transporte público, a gente precisa de, no mínimo, 50 usuários pagantes por viagem. Em algumas regiões da cidade a gente não consegue esse número. Ou seja, a receita não cobre o custo da operação. No horário de pico tem demanda, mas, fora isso, há locais que não têm passageiro e a gente não consegue colocar um veículo para atender cinco ou seis pessoas”, explica.

O procurador do Município, Otávio Rocha, foi procurado para falar sobre o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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