Controvérsias

Em Montes Claros, Juvenção é inaugurado sob críticas à reforma de R$ 3 milhões

Márcia Vieira
Repórter
Publicado em 13/01/2026 às 19:00.
Obra iniciada há quase dois anos ao lado do campo, extrapolou o prazo de 12 meses e não foi concluída. (Márcia Vieira)
Obra iniciada há quase dois anos ao lado do campo, extrapolou o prazo de 12 meses e não foi concluída. (Márcia Vieira)

O Estádio Juvêncio Augusto Soares, também chamado de “Juvenção”, foi inaugurado na noite da última segunda-feira (12), em Montes Claros, com abertura ao público que pode conhecer o campo e assistir ao treino do North Esporte Clube, time da casa que joga contra o Atlético Mineiro nesta quarta-feira (14), pela primeira divisão do Campeonato Mineiro.
Há uma semana, um evento climático derrubou as tendas que estavam sendo colocadas no local e gerou burburinho na cidade sobre a segurança do espaço. As tendas foram recolocadas, o Corpo de Bombeiros esteve novamente no local, fez uma vistoria e, de acordo com o coronel Júlio César Toffoli, “o estádio está atendendo todas as normas de segurança contra incêndio e pânico, que são de responsabilidade do CB avaliar. A estrutura passou por vistoria rigorosa e está aprovada”, assegurou.
 
CONTROVÉRSIAS
Os torcedores, que esperam assistir vitórias do North, também teceram críticas à reforma do campo, onde foram investidos mais de R$ 3 milhões dos cofres municipais. A situação levantou questionamentos, por se tratar de investimento público que beneficia diretamente uma entidade privada. A obra foi realizada em ritmo acelerado e levou apenas três meses. Ao lado da entrada do estádio, a construção de um Cemei, que de acordo com a placa afixada no local, indica que o Cemei Vila Sumaré, que teve a construção iniciada em maio de 2024, está paralisada e extrapolou o prazo de construção, que seria de 12 meses. Para o gerente de operações, Bruno Barbosa, “o ponto central é que o gestor (prefeito) cometeu um erro grave de planejamento. Priorizou-se o lazer, ao custo de R$ 3 milhões, enquanto a educação básica, que é serviço essencial, está abandonada no mesmo endereço”.

Outro ponto controverso está relacionado ao preço dos ingressos. Davi Leonardo Andrade, de 12 anos, é torcedor fanático do Atlético e pode ver frustrado o sonho de ver o time em campo. A mãe, Renata Gomes, explica. “Se não conseguir o ingresso mais barato, ele vai ficar na porta do campo, porque o que tem disponível é muito caro, R$ 230. Eu não tenho condição de pagar esse valor. Tentei no site e já está esgotado”, lamenta. Mãe e filho aproveitaram a inauguração para conhecer o campo e, mesmo “ouvindo falar” que o elenco alvinegro que estará em Montes Claros não é o principal, o garoto diz que não tem problema e a satisfação seria assistir ao jogo “sentado na torcida do Galo. Contra o URT torci para o North, mas contra o Galo, não tem jeito”, ressalta Davi.

Lucas Tadeu, acadêmico de Direito, conta que mora perto do campo, viu pela internet a queda da estrutura, mas não teme ir ao local. Situação que parece distante para ele: “Infelizmente, não consegui comprar ingresso para a quarta-feira porque esgotou muito rápido. Venho apenas no sábado”, diz. Em relação aos preços, considera que “é razoável o valor de R$ 120. Está dentro do que é praticado em outras cidades”. “Razoável” foi a mesma expressão usada por Vicente de Paula Souza, morador do Santa Rita. “Gostei da reforma e já estou com o ingresso na mão. Paguei R$ 130 e acho razoável”.

Francisco Jairo Oliveira mora a 50 metros do campo e foi um dos primeiros a chegar. Achou o espaço organizado e diz que espera que continue assim no decorrer da competição. Entretanto, não deixou de fazer questionamentos. “Eu fico na expectativa de, ‘quando terminar essa competição, o que vai sobrar para nós aqui?’. Essa é a grande preocupação. Pelo que ouvi, parte dessas arquibancadas são alugadas, então isso vai ter que sair. Fica essa tristeza de pensar que no futuro vai ficar só o esqueleto para nós”, diz.

O prefeito Guilherme Guimarães chegou ao estádio por volta das 19h e, já na entrada, questionado pela reportagem sobre como esse dinheiro retornaria para a população, declarou que o estádio ficará disponível para quem quiser fazer uso, mas não explicou se haveria algum projeto como escolinhas de futebol destinadas gratuitamente à população, já que serão apenas quatro jogos oficiais do time local, no estádio. Sobre a prioridade do investimento, o prefeito minimizou. “Investimos um bilhão na saúde. Aqui investimos pouco mais de 3 milhões, uma ínfima parte em relação a tudo isso. O campo é para a população e, até que o estádio municipal esteja pronto, vai ser bem utilizado”, afirmou. 

Sobre as arquibancadas, o prefeito disse que “o camarote empresarial e a parte do VAR efetivamente não vamos precisar, mas as arquibancadas ou a gente pode comprar ou fazer em concreto. O prefeito ainda se comprometeu a investir nos demais times que tem na cidade, como o Cassimiro e Funorte. Até o fechamento da edição, a prefeitura não se pronunciou sobre o motivo pelo qual a obra do Cemei não foi concluída, quase um ano depois do prazo previsto”.

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