SAMUEL NUNES
Repórter
- Estou perdendo meu filho para as drogas. Não sei o que fazer mais. Quando engravidei dele, jamais pensaria que iria se envolver com esta desgraça que tem me tirado noites de sono. Este foi o desabafo ao O Norte na edição de 12 de maio de S.M. A, da mãe de um menino de apenas 10 anos de idade já viciado em drogas.
Na tarde da última sexta-feira, a reportagem conseguiu conversar exclusivamente com o garoto, W.C.M, 10 anos. Inicialmente ele não demonstrou qualquer interesse em falar sobre o assunto. Apesar da inocência de criança, W.C.M não demonstra no comportamento atitude de um menino da sua idade.
- Você pode me fazer quatro perguntas, e só - disse.
W.C.M disse que não usa drogas e, ainda, que não respeita as pessoas e muito menos sua mãe, de quem ele garantiu que não gosta. O menino que segundo a mãe chega a ficar dois dias fora de casa contou que não tem medo de ficar na rua e bate em crianças da sua idade quando estas não o obedecem.
CONSELHO
Segundo Wagner Adriano de Souza, do Conselho Tutelar da segunda região, em relação a W.C.M, de acordo com relatos de vizinhos, a mãe de fato não tem controle sobre a criança e não sabe mais o que fazer para contornar esta delicada e complexa situação. O Conselheiro Tutelar revela que o caso já foi oficializado ao Ministério Público.
Wagner Adriano de Souza garante que a criança é sim usuária de substância psicoativa assim como dezenas de outras crianças e adolescentes espalhadas pela cidade.
- Trabalhamos com casos semelhantes e tudo que o município oferece é um acordo firmado com o Caps-TM, Centro de Atenção Psicossocial e Transtorno Mental que atende mediante encaminhamento judicial. O encaminhamento é direcionado ao juiz para avaliar a possibilidade de atendimento uma vez que os profissionais que atendem são um psiquiatra e um psicólogo responsáveis por atender os dois conselhos e mais os Creas- Centro de Referência Especializada da Assistência Social - conta.
Wagner Adriano lembra que a demanda em torno do atendimento à criança e ao adolescente no município já foi objeto de documento encaminhado à Câmara Municipal e poder executivo para que pudesse ser inserido no orçamento do município. Entretanto, a medida foi vetada pela atual administração sob a possibilidade de que viesse ser revista e incluída no orçamento em uma outra oportunidade, fato que segundo o conselheiro tutelar tem causado expectativa e ansiedade. Eles esperam que a administração venha cumprir brevemente esta promessa.