No dia em que Montes Claros iniciou a vacinação contra a Covid-19, a cidade registrou um aumento na ocupação de leitos públicos e de mortes. O índice de ocupação clínica chegou a 96%, taxa acima do limite de segurança. Em apenas 24 horas, foram contabilizadas mais quatro mortes e 144 confirmações.

Já Minas Gerais bateu a maior marca de óbitos atestados em apenas um dia desde o início da pandemia no Estado: foram 214 notificações de terça para quarta-feira. Até o momento, o número de pessoas que perderam a batalha para o novo coronavírus no território mineiro chega a 13.721

Em Montes Claros, segundo boletim divulgado pela prefeitura na noite de terça-feira, são15.668 casos confirmados e 241 óbitos. Os primeiros montes-clarenses foram vacinados ainda na terça-feira, mesmo dia em que as vacinas chegaram à cidade. As doses foram aplicadas em dois idosos, de 90 e 96 anos, que vivem no Asilo São Vicente de Paulo. A imunização foi acompanhada pelo governador Romeu Zema.

Na manhã desta quarta-feira (20), a prefeitura abriu, oficialmente, a campanha de vacinação contra a Covid. Montes Claros recebeu, segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, 9 mil doses da Coronavac, que serão aplicadas, nesta primeira fase, nos profissionais de saúde que estão na linha de frente da Covid-19 e idosos que vivem em asilos. 

A secretária confirmou que o volume de imunizantes recebido pelo município é insuficiente para proteger todos os profissionais de saúde de Montes Claros – que somam cerca de 20 mil pessoas.
 
MAIOR RISCO
Por isso, a prioridade é para aqueles que estão trabalhando diretamente com pacientes com contaminação confirmada pelo novo coronavírus.

A primeira profissional de saúde a receber a Coronavac em Montes Claros é Maria Rosimar Soares Ferreira, de 56 anos. Há 23 ela atua como técnica de Enfermagem. Atualmente, trabalha no Pronto-Atendimento Municipal Alpheu de Quadros, onde lida diariamente com pessoas infectadas pelo novo coronavírus ou com suspeita da doença.

Maria Rosimar acredita que a vacinação significa o início de um novo tempo, não só para ela, mas para o mundo. “Tenho uma mãe cardiopata, com 84 anos. Quando chego do plantão, só vou ter contato com meus familiares depois de 12 horas. Isso dói, psicologicamente. Nós, brasileiros, gostamos muito de abraçar e a gente está precisando demais da conta. A vacina, pra mim, são abraços na ponta de uma agulha”, resumiu, visivelmente emocionada.

Furando fila?
A técnica em Enfermagem foi vacinada na casa do prefeito Humberto Souto (Cidadania), que também recebeu a dose da Coronavac nesta quarta-feira, apesar de não estar no grupo prioritário estabelecido pelo Ministério da Saúde.

Aos 86 anos, Souto está isolado em casa há dez meses. Ele disse que aceitou tomar a vacina para mostrar às pessoas que não é preciso ter medo de ser imunizado. “Eu aceitei a sugestão de me vacinar para dar exemplo. Criou-se no Brasil uma série de dúvidas sobre as vacinas que gerou insegurança. Por isso, aceitei para ser exemplo porque é necessário para a vida, para o bem da nossa saúde. Eu, com 86 vacinei, por que outros não vacinariam?”, falou Souto em coletiva.

A atitude do prefeito gerou polêmica nas redes sociais, com moradores apoiando e outros criticando, alegando que Souto “furou a fila” da vacinação.

Segundo o Ministério da Saúde, a divisão de grupos prioritários do plano de imunização é uma recomendação, mas não precisa ser seguida à risca.

*Com Márcia Vieira