Montes Claros apresenta um cenário na rede pública de saúde que representa alívio, por um lado, e sobrecarga, de outro. A ocupação de leitos exclusivos para a Covid-19 está em patamares inferiores a 50%. Enquanto isso, a demanda por leitos clínicos não Covid passa dos 100% e leva os hospitais a acionarem, mais uma vez, o Plano de Contingência.

Nesta terça-feira, três hospitais de referência no município emitiram nota informando a suspensão de atendimentos que não sejam emergência. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Montes Claros na segunda-feira, a média de ocupação de leitos clínicos adulto não Covid estava em 114%, já os reservados para a doença provocada pelo novo coronavírus tinham apenas 39% de ocupação.

A Santa Casa informou, por meio de nota, que a unidade estava, nesta terça-feira, com superlotação de pacientes superior à capacidade instalada e, por isso, acionou o Plano de Contingência em nível III. Até o fechamento desta edição, havia 57 pacientes internados em macas no pronto-socorro, bloco cirúrgico e no Cediten (espaço de recuperação), aguardando vaga em leito de enfermaria ou terapia intensiva. Os casos mais recorrentes são de AVC, acidentes de trânsito e oncologia.

Já o Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF) informou que estava com 20 pacientes aguardando vaga para internação, número superior ao de capacidade instalada, que é de 20 usuários. A superlotação levou o hospital a suspender os atendimentos, preservando apenas os casos de emergência e referência, como a Covid. Os leitos clínicos, cirúrgicos, obstétricos e de terapia intensiva chegaram à sua capacidade máxima nesta terça-feira, segundo o HU.
No Hospital Aroldo Tourinho a situação também era preocupante. Segundo o boletim da prefeitura, a unidade apresentava ocupação de 167% na segunda-feira em leitos não Covid. Em nota, a unidade de saúde informou que permanece apenas com atendimentos de emergência e o Plano de Contingência interno continua em vigor, a fim de atender os pacientes que já se encontram internados.
 
OCORRÊNCIAS
O Samu registrou, entre as 6h de segunda-feira e as 6h de ontem, 142 atendimentos na rede MacroNorte. Foram 84 casos clínicos, sendo 12 paradas cardiorrespiratórias, 14 atendimentos de trânsito (11 envolvendo motos), cinco atendimentos psiquiátricos e dez atendimentos obstétricos.

Deste número, só em Montes Claros, foram 33 casos clínicos com quatro paradas cardiorrespiratórias, oito atendimentos de trânsito (sete envolvendo motos), três atendimentos psiquiátricos e um atendimento obstétrico.

De acordo com registros do Samu, alguns pacientes vêm para Montes Claros em estado grave. Nesta segunda-feira, um motociclista que sofreu acidente em Guaraciama foi levado para Bocaiuva e, posteriormente, deu entrada na Santa Casa de Montes Claros com traumatismo cranioencefálico grave e lesão abdominal.

Segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, Montes Claros recebe muitos pacientes de média e alta complexidade de outros municípios, por ser a referência na região. Isso impacta na disponibilidade de vagas e leitos. “Montes Claros sempre teve problemas com pronto-socorro por ser referência na região”, afirma a secretária, pontuando que o município atende a 84 cidades.

Para Dulce, a saída para essa situação é o fortalecimento da rede de saúde nas microrregiões do Norte de Minas, como Pirapora, Janaúba, Taiobeiras, Salinas, Brasília de Minas e Bocaiuva. “Isso deve acontecer com o programa Valora Minas, do governo do Estado”, afirma Dulce.
 
ALTERNATIVA
O Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira está prestes a abrir as portas para o atendimento de pronto-socorro. “Temos a estrutura física pronta e a nossa expectativa é a de que o HC possa suprir essa lacuna. Temos preparado o hospital no sentido de atender a demanda do município e região”, diz Ana Paula Nascimento, diretora da unidade.