O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Montes Claros, vereador Marlon Xavier, foi barrado pela Secretaria Municipal de Saúde ao tentar fazer uma visita de fiscalização na UPA do Chiquinho Guimarães. A unidade foi recentemente inaugurada pela administração municipal e anunciada como Hospital de Campanha para atender pacientes com coronavírus. Por duas horas, o parlamentar tentou ter acesso à UPA e precisou acionar a Polícia Militar para conseguir entrar na unidade hospitalar, que deveria estar atendendo a população. 

“Eu, como médico e vereador, não posso fingir que está tudo bem com esse hospital de campanha fechado, em pleno caos de coronavírus que estamos enfrentando. A estrutura física é excelente, mas não adianta material de última geração só para compor foto. É preciso estar a serviço da população”, enfatiza Marlon. 

A Unidade de Pronto-Atendimento Municipal de Montes Claros foi inaugurada em 27 de junho. No dia, a secretária de Saúde, Dulce Pimenta, enalteceu a importância do espaço para que a cidade enfrentasse o crescimento alarmante nos casos positivos para a Covid-19. 

Montes Claros já soma 1.036 casos da doença – alta de 57% em uma semana – e 16 mortes – crescimento de 77,7% comparado ao dia 16. No entanto, um mês após a inauguração, os equipamentos continuam encaixotados e a população sem acesso aos serviços que deveriam ser oferecidos no local.
 
VERBA
Nos últimos três meses, a Câmara de Vereadores de Montes Claros aprovou cerca de R$ 80 milhões para o enfrentamento à Covid-19. Os recursos deveriam ser utilizados para estruturar a UPA, para que a unidade entrasse na luta contra o vírus. No entanto, o que se vê são leitos, respiradores e todo material adquirido sendo consumidos pela poeira. Enquanto isso, a população acompanha alarmada as vagas em leitos dos hospitais de Montes Claros se esgotarem, já que a ocupação é de 81% dos leitos clínicos e 52% dos leitos de UTI. 

A diretora administrativa do Hospital Alpheu de Quadros, Socorro Carvalho, que autorizou a entrada do vereador após as duas horas de espera e o acompanhou na visita, afirmou que a UPA não está aberta. 

“Aqui só ficará em funcionamento caso tenha um colapso de ocupação total dos leitos. Enquanto isso, a UPA estará fechada”, informou.

Para o vereador, que conferiu cada um dos equipamentos e, ainda, as alas de isolamento para pacientes infectados pelo coronavírus, o fato de a UPA estar fechada é um desrespeito com a população e com o dinheiro público.

“Contei 55 leitos clínicos, dez respiradores e apenas cinco leitos isolados. Deveria ter mais salas de isolamento, pois esse é o principal critério de contágio. Está tudo encaixotado. Em uma emergência, como saberemos se vai funcionar? Como saber se os aparelhos estão aptos para funcionar, pois nem mesmo os respiradores saíram das caixas”, questiona. 

O local deveria estar funcionando como hospital de campanha no enfrentamento do coronavírus, com funcionamento ininterrupto 24 horas, em todos os dias da semana, incluindo feriados e pontos facultativos. 
 
LEGISLAÇÃO
Pela legislação, qualquer parlamentar tem a prerrogativa de entrar em órgãos públicos para fiscalizar, mesmo sem existência de denúncia. Ao chegar à UPA, o vereador Marlon Xavier, que é médico legista, foi barrado com a justificativa de que o local havia passado por uma desinfecção de rotina. Mas os funcionários que estavam dentro da UPA se encontravam sem qualquer equipamento de segurança diferenciado, como jalecos e luvas, o que na percepção do parlamentar é um indicativo de que a justificativa era improcedente.