Portas abertas para surto de dengue em MOC

Média de casos diários nos primeiros dias deste ano supera ocorrências de 2020 e 2021; prefeitura intensifica ação para barrar mosquito

Da Redação*
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22/01/2022 às 00:26.
Atualizado em 26/01/2022 às 00:12
 (Fábio Marçal/ASCOM-PMMC/divulgação)

(Fábio Marçal/ASCOM-PMMC/divulgação)

Em apenas 19 dias de janeiro, Montes Claros já recebeu 77 notificações de casos suspeitos de dengue. O número equivale a uma média de quatro por dia, muito acima do que foi registrado nos dois últimos anos – 2,4 em 2020 e 1,9 em 2021.

Os dados indicam que há grande risco de a cidade viver um surto neste ano. E o grande volume de chuvas nas últimas semanas favorece ainda mais a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e professor do Departamento de Microbiologia da UFMG, Flávio Guimarães da Fonseca, os ciclos epidêmicos da doença acontecem, em média, a cada três anos e, nos últimos dois, os registros foram menores. Em 2019, Montes Claros anotou 9.686 notificações – média de 26,5 por dia. 

“Não dá para cravar que isso vai acontecer, mas a gente já está dentro desse período de padrão de alteração de surtos. Então, isso faz com que a gente tenha que ter uma atenção redobrada esse ano e, se não acontecer, no ano seguinte, porque certamente estamos próximos de um novo ciclo”, avaliou.

O virologista ainda explicou o motivo do fenômeno. “A cada vez que a gente tem um surto mais importante da doença, muitas pessoas se infectam e ficam imunologicamente resistentes a uma nova infecção. Com isso, no ano seguinte, menos pessoas são susceptíveis a contaminação. Depois disso pode haver uma alteração no sorotipo que causou um número maior de infecções, chamado de substituição. Isso acontece muito com a dengue e é por isso que a gente tem esses ciclos epidêmicos que variam de surto para surto”.
 
FAXINA
Para tentar frear o avanço da doença, a Prefeitura de Montes Claros vai intensificar ações contra o mosquito. Neste sábado (22), das 8h às 12h, um mutirão da limpeza irá agir em bairros que apresentam alto índice de infestação, como o Major Prates, Alterosa, Chiquinho Guimarães, Ciro dos Anjos, Joaquim Costa, Jardim São Geraldo, Maracanã, Olga Benário, Santa Rafaela, Santo Amaro, Santo Inácio, São Geraldo II, Residencial Montes Claros e Vargem Grande.

As intervenções irão ocorrer nas ruas e nos domicílios, já que, segundo o Centro de Controle de Zoonoses, 97,3% dos focos da cidade foram encontrados nas residências.

Serão recolhidos recipientes que acumulam água e servem de criadouro para o Aedes aegypti, como pneus, vasilhames, garrafas PET, latas, garrafas, sucatas de tanquinho de lavar roupas e geladeira, lonas e vasos sanitários em desuso.

A prefeitura pede aos moradores que deixem os agentes recolher os materiais ou então que os coloque em frente às residências para coleta. 

Não serão recolhidos camas, guarda-roupa, sofás, colchão, podas de árvores, entulhos (materiais de construção). De acordo com Kamila Sampaio de Souza, enfermeira referência técnica em arboviroses, em Montes Claros, os 77 casos notificados ainda estão aguardando pelo resultado do exame, portanto, ainda não há confirmação.

Com relação à chikungunya, um caso foi notificado, também sem resultado de exame. Nenhum caso de zika chegou a ser registrado.

Os números podem apresentar subnotificação devido à dificuldade de identificar as formas clínicas leves e moderadas, que constituem a maioria dos casos de dengue, principalmente no período de pandemia da Covid-19, informa Kamila.

Pontos de ‘abrigo’ do Aedes
A população tem papel fundamental no combate ao mosquito Aedes aegypti ao eliminar os pontos “clássicos” de retenção de água das chuvas nos domicílios, tais como ralos, calhas, vasos de plantas e pneus. Mas também é essencial que sejam verificados os demais recipientes, como os vasilhames que servem de bebedouro aos animais de estimação, como cães e gatos. A orientação é reforçada pela coordenadora estadual de Vigilância das Arboviroses da SES-MG, Danielle Capistrano. “As pessoas pensam que bastaria trocar a água desses recipientes, mas isso não é suficiente. É preciso lavar com água e sabão. A fêmea do mosquito deposita seus ovos na parede desses vasilhames, e eles aderem naquela superfície. Com a água colocada ali, esses ovos podem eclodir e termos o início do ciclo até a fase do mosquito adulto”. Considerando que o ciclo tem uma duração média de sete dias, recomenda-se que seja feita a limpeza com frequência. Quando temos temperaturas mais altas, pode ocorrer a aceleração do ciclo, situação em que seria recomendável a higienização por, pelo menos, duas vezes na semana”, explica.

*Com Larissa Durães

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