Há dois anos, os pedestres enfrentam situação de risco na ponte sobre a avenida Deputado Esteves Rodrigues, de maior tráfego da cidade, desde que a prefeitura interditou a passarela que liga o centro da cidade ao Distrito Industrial de Montes Claros e à BR-251. 

Sem respostas da prefeitura, a despeito da cobrança por parte dos vereadores em quase todas as sessões ordinárias do Legislativo, a situação se agravou no final da semana passada, quando uma colisão destruiu as muretas de proteção da ponte estreita, que, associada ao seu acelerado processo de degradação, forçou ainda mais os transeuntes – agora com apenas uma das laterais funcionando precariamente – a disputarem espaço com veículos, comprometendo o deslocamento, sobretudo daqueles que têm dificuldade de locomoção. 

Na manhã de ontem, O NORTE acompanhou o drama imposto a estudantes e trabalhadores que tentavam usar o espaço, interditado em uma das laterais, sem a devida sinalização, enquanto a outra apresenta buracos nas grades e telas de proteção, com piso irregular e sem cobertura. Obrigatoriamente, as pessoas têm que se arriscar, quer seja fazendo a travessia na passarela suspensa, com piso improvisado de madeira e asfalto, ou entre os carros, caminhões e motos, sobre a estrutura de concreto.
 
PERIGO 
Enquanto as obras em andamento não oferecem alternativa aos pedestres, o servidor público municipal Diego Oliveira, após uma “aventura perigosa”, precisou correr para não ser atropelado. “Passo aqui todos os dias, pois trabalho na avenida Arthur Bernardes, almoço na avenida João XXIII e atravesso no meio da ponte toda deteriorada, porque não tem jeito. A chance de atropelamento aumenta a cada dia. Reclamamos uma solução mais urgente”. 

O dilema da enfermeira Solange Araújo é o mesmo. “Como vi que a mureta estava destruída, corri, para atravessar mais rápido, com o maior cuidado, no meio da rua, tão logo o sinal se abriu”. 

O que diz a prefeitura
Diante da demora na solução do problema, que põe em risco a vida das pessoas, O NORTE procurou ouvir o secretário Municipal de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano, engenheiro Guilherme Guimarães. Questionou sobre afalta de reparo das muretas destruídas, acerca da cobrança do Legislativo Municipal, e, por fim, indagou se a administração teria resposta mais breve para resolver o problema. 

O secretário argumentou que há muito a passarela vem se deteriorando, “porque, no reparo de sua estrutura, não removeram os pontos de corrosão, e, associado a isso, um veículo chocou-se com a proteção, danificando-a ainda mais”. Ele frisou que “a previsão é de que, ainda em 2020, esteja concluída a primeira ponte do Complexo João XXIII, que deverá ter duas pontes e seis novas passarelas”.