Se no Estado faltam estrutura e profissionais para a operaciona-lização dos postos Médico-Legal (PMLs), em Montes Claros a unidade apresenta situação adequada para atender aos 23 municípios da 1ª Delegacia Regional de Montes Claros e aos 16 municípios da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Taiobeiras, que abrange a microrregião Alto Rio Pardo e dá cobertura à escala de plantão de Pirapora realizando necropsias. 

A iniciativa que possibilitou a reestruturação do serviço local foi a parceria com faculdades, como a Funorte, Pitágoras e Unimontes, que ofertam o curso de medicina e investiram no espaço do PML para que se tornasse um PML-Escola.

De acordo com o delegado Jurandir Rodrigues, chefe do 11º Departamento de Polícia Civil, o quadro de servidores é suficiente e, em virtude da crise financeira que o Estado enfrenta há anos, as parcerias foram essenciais.

“Não há déficit de servidores, mas um esforço administrativo para manter completas as equipes dos policiais que exercem a função de auxiliar de necropsia. Nos últimos três anos, o investimento foi de aproximadamente R$ 220 mil, fruto de parceria com faculdades locais, emendas parlamentares e verbas pecuniárias da Justiça Estadual e Federal. Temos buscado a captação de recursos principalmente por essas vias”, explicou.
 
INVESTIMENTOS
“O PML de Montes Claros, nos últimos tempos, tem recebido importantes reformas estruturantes, se adequando às exigências sanitárias, bem como propiciando ambiente humanizado para atendimento ao público e realização de exames de interesse criminal”, destaca Jurandir Rodrigues.

O espaço conta com 12 câmaras frias, sala para exames/perícia no vivo, sala de necropsia com arquibancada, área de espera para exames, auditório e biblioteca. Só em Montes Claros, de janeiro a outubro deste ano, foram realizadas 482 necropsias. No mesmo período, foram realizadas 1.705 perícias em vivo, resultando em um total de 2.187 laudos expedidos pelo PML.
 
CAMPO VASTO
Marlon Xavier Oliva Bicalho é um dos nove médicos legistas do posto local. Questionado sobre o que levaria um jovem médico a optar pela ocupação, ele destaca que é a vontade de contribuir com a sociedade de forma técnico-científica, esclarecendo os fatos que são de interesse da Justiça.

“O caráter investigativo extrapola o campo policial. O cadáver fala, conversa com a gente, através dos sinais anatológicos, traumatológicos. Tem que ter essa medicina legal ou judiciária, que é quando o legista é acionado para esclarecer algo relacionado à medicina. Atuamos em situações como exame de embriaguez, exame de lesão corporal dentro da Lei Maria da Penha, conjunção carnal para estupro, ato libidinoso, infanticídio, aborto, DNA para identificação de pessoas, enfim, o campo é muito amplo”, explica Marlon.