Os números de casos suspeitos de Covid-19 não param de crescer em Montes Claros. Já são 289 notificações, sendo que 50 foram descartadas e 239 continuam sob investigação. Os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Epidemiológica, diariamente mostram que ainda não há motivo para baixar a guarda. Seis pacientes estão internados em situação estável e um está no CTI do Hospital Universitário.

Para deixar claro os limites do cenário atual, a Prefeitura de Montes Claros publicou novo decreto na noite de quarta-feira, alterando as regras de funcionamento de alguns estabelecimentos comerciais.

O decreto de nº 4009 traz mais flexibilidade a estabelecimentos antes proibidos de funcionar, como hotéis e restaurantes que ficam às margens das rodovias. E possibilita o funcionamento, por meio de entrega, de lojas de insumos necessários à manutenção dos serviços essenciais, como de equipamentos médicos, lojas de materiais de construção e de autopeças. Mas elas não podem abrir para o público em geral. A venda deve ser feita por telefone ou por meio eletrônico e os produtos devem ser entregues.

De acordo com o secretário de Serviços Urbanos, Vinícius Versiani, os estabelecimentos que já haviam recebido a permissão para funcionar, como supermercados, mercearias e padarias, terão que se adequar às novas regras. “Estes comércios terão que instituir um horário adequado e local específico para atender as pessoas com mais de 60 anos e aquelas que estão em grupo de risco”, declarou.

Os mercados Sul e Central passam a atender em horário diferenciado. De segunda a sábado, o funcionamento será de 6h às 14h; no domingo, de 6h às 12h. É bom ressaltar, no entanto, que outras regras estabelecidas nos decretos anteriores (4.007 e 4.008) continuam valendo, como o fechamento do comércio e a restrição à circulação de idosos pela cidade.
 
HOTÉIS
Pelo novo decreto, os hotéis que ficam próximos às rodovias estão autorizados a receber novos hóspedes. Até então, apenas as pessoas que já haviam se hospedado antes da proibição poderiam permanecer nos locais. No entanto, a situação ficou difícil pela necessidade de atender caminhoneiros que continuam viajando para realizar abastecimento e distribuição da produção de indústrias e empresas.

Um empresário do ramo de hotelaria afirmou à reportagem que a proibição trouxe danos aos estabelecimentos e às pessoas que necessitam deles. “Ontem (quarta-feira) chegou um cidadão que veio de BH e fez entrega em dois supermercados. Ele terminou tarde e não podia viajar à noite. Tinha que ficar em Montes Claros, mas eu tive que recusá-lo porque estava proibido de receber novos hóspedes. O caminhão dele não tinha compartimento para dormir”.

O empresário, que pediu para que não fosse identificado, conta que se mudou para o hotel para ajudar no preparo das refeições dos hóspedes que permanecem no local. Para diminuir a aglomeração no estabelecimento, deu férias a parte dos funcionários.