Moradores do bairro de Lourdes, uma das regiões mais antigas e tradicionais da cidade, estão sem atendimento regular no posto de saúde local desde que profissionais foram dispensados da unidade e não foram substituídos.

Residente no bairro há 52 anos, Cláudio Quadros revela que, indignados, cerca de 80 pacientes fizeram uma manifestação no local.

“Não nos ouviram, não deram atenção aos pacientes e tentaram esconder. Mas filmamos a situação e está aí para todo mundo ver. O prefeito foi para a TV falar que cuidaria da saúde e da educação, mas enquanto ele estava lá falando, o problema estava acontecendo do lado de fora. Estamos desassistidos”, diz Cláudio.

O morador alerta que, além da falta de atendimento, há um risco muito grande para os que chegam a buscar o posto. “Eu contei nos dedos 13 pacientes que chegaram ao posto com sintomas da Covid-19. Inclusive, uma mãe com o bebê no carrinho. O que eles ouviram é que deveriam buscar a UPA do Chiquinho Guimarães para tentar atendimento, porque no posto não tinha profissional para atender. A mãe de um recém-nascido tinha um retorno marcado e não pôde voltar com o filho para fazer a pesagem e o controle porque também não havia o profissional. É um absurdo”, reclama Cláudio Quadros.
 
ABAIXO-ASSINADO
Ele relata que após a manifestação, enviaram um médico esta semana ao posto para cobrir buraco. Mas, no dia seguinte, outro profissional foi mandado ao lugar. “Demitiram o médico e os enfermeiros que estavam na comunidade há mais de dez anos e já tinham vínculo com os pacientes. Eram como pessoas da nossa família”, declara Cláudio, responsável por um abaixo-assinado que pede a volta dos profissionais ao posto de saúde.

“Nós entendemos que a motivação foi política e veio em retaliação ao parentesco do médico com uma vereadora que não votou para a mesa diretora da Câmara”, complementa. 

O PSF do Bairro de Lourdes é uma referência para moradores da região. No espaço foram montadas tendas exclusivamente para atender pacientes suspeitos de Covid-19. Entretanto, quem chega ao local é informado que “pode ficar ali sentado se quiser, mas não vai ter atendimento porque não tem profissional”, de acordo com M.R., que recebeu essa resposta ao procurar o posto. 

Ela avalia que não tem sentido o paciente ter que se deslocar por uma distância tão grande para ir à UPA Chiquinho Guimarães se existe espaço físico para atendimento no bairro. 

“O deslocamento é pior para todos. Não tenho veículo, ou seja, como caso suspeito, tenho que me isolar e não ficar andando de um lado a outro da cidade para ser atendida. Não tem justificativa. Eles não dão atendimento, não fazem teste e nem orientam como o paciente deve proceder”, disse a profissional autônoma.

O presidente da Câmara de Vereadores, Cláudio Rodrigues, foi procurado, mas optou por não se pronunciar. De acordo com o vereador, só o Executivo poderia falar, já que a atitude partiu do Executivo e ele não tinha conhecimento do fato até o momento.

A secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, está de férias e só retorna semana que vem. Na Secretaria de Saúde ninguém soube informar sobre a situação daquela unidade de saúde.