Nem mesmo túmulos do cemitério em Montes Claros escapam dos bandidos. Nas últimas semanas, foram registradas várias ocorrências de roubos de peças que compõem os jazigos que ficam no Cemitério do Bonfim.

Um deles chamou a atenção pela ousadia e pela provável estrutura que os ladrões precisaram ter para praticar o crime.

Eles levaram uma escultura de um Cristo de bronze, de 1,60 metro de altura, feita há 62 anos pelos irmãos Natali, de Belo Horizonte. A peça ornava o jazigo da família Frota Machado.

“A gente sente tristeza e vazio ao se deparar com essa situação”, diz Sandra Frota, que esteve no local em que vários familiares estão sepultados e relatou que outros objetos menores, como porta-retratos, foram levados. 

No chão ainda há resquícios de materiais que foram deixados pelo caminho. Segundo Sandra, até a quarta-feira (22 de setembro) a escultura estava lá. Já na quinta-feira (23), a pessoa que toma conta do jazigo ligou para a família por volta das 8h para avisar do sumiço da peça.

“Os ladrões estão mais ousados. Não é uma coisa fácil de carregar. Acredito que quem fez isso já tinha a destinação certa. Se pensar bem, da mesma forma que estão fazendo isso com esses objetos, podem violar uma sepultura. Falta segurança”, lamenta Sandra.
 
FREQUENTE
Ela conta que a situação é recorrente no cemitério municipal. Recentemente, viu o túmulo de um outro tio, na entrada da necrópole, ser alvo de vândalos. Em um outro, uma Nossa Senhora foi arrancada, mas não chegou a ser carregada e foi danificada.

Pelo peso e tamanho da escultura levada, a família Frota Machado calcula que pode ter sido usado veículo e até guincho para transportar a peça. 

Eles acreditam que, possivelmente, a estátua foi retirada para ser derretida e ter o bronze comercializado. Foi feito um boletim de ocorrência e os familiares aguardam o resultado das investigações.

“A Polícia Civil instaurou o inquérito policial e, dentro deste inquérito, já começaram as oitivas de pessoas que trabalham nos cemitérios, de possíveis testemunhas. Os investigadores estão realizando diligências para tentar localizar a estátua, o que ainda não ocorreu”, afirma o delegado Herivelton Ruas.

O policial não quis dar mais informações sobre suspeitos para não prejudicar as investigações.

Todas as ocorrências de roubos aconteceram no Cemitério do Bomfim, contíguo ao Cemitério Parque Jardim da Esperança. Este último é gramado e já não são permitidos os jazigos como os de antigamente.
 
MAIS SEGURANÇA
Procurado pela reportagem, o secretário de Serviços Urbanos, Guilherme Guimarães, lamentou o ocorrido, ressaltando que a peça levada não deixa de ser uma obra de arte e a ação dos bandidos é um desrespeito aos mortos.

“Os túmulos são privados, mas o cemitério é de responsabilidade do município. Para evitar novas ocorrências, estamos iluminando o local, vamos reforçar a segurança e catalogar todas as peças”, afirma.

Segundo o secretário, durante a pandemia a necrópole registrou quatro roubos de esculturas e outras mais em anos anteriores. “Sete estátuas foram recuperadas e estão à disposição dos familiares”, diz Guilherme Guimarães.

Ele anunciou, ainda, que os muros do cemitério, que são baixos, serão modificados.