Mais de 180 mil maços de cigarro contrabandeados foram apreendidos ontem pela Polícia Militar em uma operação que desarticulou uma quadrilha que atuava na região. A estimativa é a de que os criminosos movimentavam cerca de R$ 2 milhões com a venda do produto clandestino.

Um homem foi preso no bairro Raul Lourenço e outros integrantes foram identificados. A ação faz parte da Operação Alferes, que tem o objetivo de desarticular quadrilhas nos 77 municípios de responsabilidade da 11ª Região da Polícia Militar.

A operação começou às 6h de ontem e terminaria hoje, no mesmo horário. A ação foi realizada sem pausa. Para isso, foram mobilizados 800 militares, incluindo os da área administrativa, e 200 viaturas. 

Além da mercadoria ilegal, foram encontrados na casa do homem detido R$ 112.994 em dinheiro e R$ 479.501,37 em cheques.

A expectativa era a de que os demais envolvidos fossem localizados ainda durante a realização da operação.

De acordo com o tenente Clyver Alessandro de Oliveira Santos, os militares chegaram até a quadrilha por meio de uma denúncia. Em uma das patrulhas de rotina, os militares perceberam um homem suspeito e começaram a segui-lo. Integrante da quadrilha, ele acabou entregando o esquema que funcionava em duas casas no bairro Raul Lourenço. O grupo também mantém uma casa na comunidade Campos Elísios. Revólveres, munições, rádios transmissores e cinco carros de passeio também foram apreendidos.

Segundo a PM, a operação relaciona os homens, tanto o preso quanto os identificados, aos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, posse ilegal de armas de fogo e contrabando.

O envolvido de 31 anos que foi detido não tinha passagens pela polícia até o registro deste crime. Os outros identificados têm registros por contrabando e outros delitos.

Hoje serão executadas ações e operações preventivas e repressivas para combater tráfico de drogas e armas, roubo de veículos, bem como recuperar veículos e/ou objetos furtados/roubados.
 
PREJUÍZOS
O comércio de cigarros contrabandeados causou um rombo de R$ 384 milhões aos cofres de Minas Gerais em 2018. Esse valor corresponde ao montante que o Estado deixou de arrecadar com o não pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Levantamento feito pelo Ibope aponta ainda que 61% desses produtos que circulam em Minas são frutos do descaminho, vindos do Paraguai.

De acordo com o estudo, o contrabando de cigarros cresceu 12% em volume no Estado nos três últimos anos, atingindo 5,9 bilhões de unidades. A marca contrabandeada mais popular em Minas é o San Marino, com 29% dentre os “rivais” ilegais.

Em 2018, de acordo com a pesquisa do Ibope, 54% de todos os cigarros vendidos no país eram ilegais, o que representa um crescimento de 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior.