O quarto aumento dos combustíveis, anunciado pela Petrobras nesta quinta-feira e que começou a valer ontem nas refinarias, está tirando o sono e desfalcando o orçamento dos motoristas. Em menos de dois meses, a gasolina registra uma alta acumulada de 34,78%, enquanto o diesel soma 27,72% de reajuste.

O aumento da gasolina autorizado pela empresa na quinta-feira foi de R$ 0,23 nas refinarias, chegando a R$ 2,48, o litro. O reflexo nas bombas é previsto para os próximos dias. O diesel terá ajuste de R$ 0,34, com preço final de R$ 2,58, o litro.

O preço do etanol acaba sendo puxado pelas altas da gasolina, porque há maior procura pelo combustível por donos de veículos flex, em função do novo reajuste da gasolina. 

Neste ritmo acelerado e contínuo de subida dos combustíveis, todos os setores são afetados e o impacto no custo de vida da população é generalizado. 

“Como eu faço entregas usando a minha moto, a diferença é muito grande no fim do mês. Esse quarto aumento apenas nesses dois meses do ano, sem dúvidas, será um prejuízo enorme no bolso, principalmente para nós entregadores”, lamenta Luiz Fernando Rodrigues, de 22 anos.

Em Montes Claros, o litro da gasolina comum, em 20 de janeiro, custava, em média, R$ 4,75. Ontem, pela manhã, ainda sem o reflexo do quarto reajuste, o valor já estava em R$ 4,98, um aumento de R$ 0,23 por litro, o que corresponde a uma alta de 4,84%. Mas, à tarde, alguns postos já haviam remarcado o preço, que subiu para R$ 5,49 – 10,24% a mais.

Para Jonas Andrade, de 35 anos, motorista de aplicativo em Montes Claros, a situação está cada vez mais impraticável. “Por trabalhar como motorista de aplicativo, tenho que abastecer todo dia. Quase 45% a 50% do meu lucro vai embora com o combustível. Estamos vendo um reajuste atrás do outro. No meu caso, prefiro abastecer com etanol por questões ecológicas e fico sem entender o preço alto, porque somos produtores, não estamos em época de entressafra e o preço do etanol e da gasolina aumentam”, diz Jonas.

Para ele, os profissionais ficam reféns dos aumentos. “Tenho que dobrar ou, às vezes, triplicar minha jornada para poder conseguir fazer algo que seja mais ou menos rentável. Para nós que rodamos muito, tem pesado bastante”. 

INFLAÇÃO
Os últimos aumentos dos combustíveis devem pesar no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de fevereiro. Em janeiro, o impacto não foi muito intenso, segundo a professora Vânia Vilas Bôas Vieira Lopes, coordenadora do IPC/Unimontes. Mas ela acredita que as quatro altas irão comprometer o índice deste mês.

*Com Evaldo Magalhães, do Hoje em Dia