A expectativa de uma vacina contra o vírus Sars-Cov-2, que causa a Covid-19, não deve ser motivo para as prefeituras relaxarem nas medidas de prevenção contra a disseminação da doença. As recomendações aos prefeitos eleitos ou reeleitos em novembro estão no Boletim do Observatório Fiocruz Covid-19 divulgado nesta segunda-feira pela instituição.

Segundo especialistas da Fundação Oswaldo Cruz, nos próximos meses a busca por internações hospitalares e assistência médica especializada pode aumentar, tanto nas regiões metropolitanas quanto no interior. 

O boletim alerta para um “expressivo aumento no número de casos e de óbitos por Covid-19 ao longo das semanas epidemiológicas 48 e 49 (22 de novembro a 5 de dezembro)”, além de uma piora na disponibilização de leitos em UTIs para o tratamento da doença.

“Alertamos que há um possível agravamento da pandemia exatamente quando se aproximam as festas de Natal e Ano Novo, período tradicionalmente marcado por encontros e confraternizações, maior circulação e aglomeração de pessoas. Com a proximidade de uma vacina contra a Covid-19, é necessário reforçar as orientações de prevenção, lembrando que, até que tenhamos um considerável contingente populacional coberto pela vacina, não será possível alterar as medidas atuais”.
 
MINAS GERAIS
A média diária de novos casos de Covid-19 em Minas já é maior se comparada ao período do pico da doença. Nos últimos 30 dias, 2.923 notificações foram confirmadas a cada 24 horas. De 22 de junho a 22 de julho, foram 2.327 diariamente.

Para especialistas, os números preocupam e está nas mãos da própria população a mudança no comportamento da pandemia no Estado.

Caso contrário, o infectologista e professor da UFMG Unaí Tupinambás afirma que “a situação pode ficar calamitosa”. Um dos pontos que mais merecem atenção, segundo ele, é o sistema de saúde, uma vez que já começa a ser pressionado pelo atendimento a doenças crônicas, como renais e diabetes, e arboviroses, como dengue.

“O momento atual é mais delicado do que foi em maio, junho, julho, e pode evoluir para uma crise humanitária, com pessoas morrendo na fila à espera de uma vaga. Podemos ter um fim de ano muito triste e um janeiro bem crítico”, frisou o médico. 

SEGUNDA ONDA
A situação é de alerta em todo o país. Mas apesar da alta incidência, as opiniões sobre uma segunda onda são divergentes. Para declarar esse cenário, de acordo com o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estevão Urbano, é preciso ter uma queda significativa de doentes em um período depois do pico da doença. 

Porém, ainda não foram feitos estudos para saber se, de fato, isso ocorreu por aqui. “Ainda estamos em dúvida se já passamos para a segunda ou se ainda estamos na primeira onda”, disse. 

“A situação é muito preocupante. Estamos vendo o vírus se alastrar numa velocidade muito grande. Os hospitais privados estão muito cheios, os públicos começam a acelerar o número de internados, e muita gente ainda não está se dando conta de que a pandemia continua”, completou Estevão Urbano.
 
MONTES CLAROS
Em Montes Claros, a ocupação dos leitos clínicos subiu de 79%, em 23 de novembro, para 84% em 4 de dezembro. A ocupação de leitos privados também disparou – de 20% em 23 de novembro para 47% em 4 de dezembro.

O número de confirmações também não para de crescer. Passou de 12.591 em 23 de novembro para 13.237 em 4 de dezembro – alta de 5%. Já as vítimas fatais da doença chegou a 210, em 4 de dezembro, contra 204 em 23 de novembro.

O boletim da Fiocruz aponta para aumento de casos e óbitos em diversos estados nas próximas semanas e a região Nordeste como crítica para a transmissão e incidência de casos graves, hospitalizações e possíveis óbitos. 

Recomendações aos prefeitos

- Ações de prevenção de riscos para conter o aumento do número de casos e óbitos: campanhas de conscientização sobre as medidas de segurança sanitária e editadas normas legais para o isolamento

- Envolvimento da Atenção Primária à Saúde, com o fortalecimento da estratégia da Saúde da Família e da ação dos Agentes Comunitários de Saúde

- Preparação de campanhas de vacinação: as prefeituras devem atuar em cooperação com as esferas estaduais e federal para garantir a imunização da população, organizando a logística e capacitando pessoal para a aplicação das doses

*Com Agência Brasil