O Norte de Minas é uma região com alta concentração de escorpiões, dos tipos amarelo e preto. A explicação para tal fenômeno é o clima, quente, adequado para a reprodução dos peçonhentos. Montes Claros, com grande frequência, registra ataques desses bichos em crianças e adultos. Nos primeiros seis meses deste ano, o número de ocorrências já superou em mais de 7% as notificadas no mesmo período do ano passado.

Segundo o Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), referência nesse tipo de atendimento, foram 1.374 casos de ataques de escorpiões de janeiro a junho deste ano, contra 1.280 no mesmo período de 2019.

Para tentar conter os problemas com esses animais, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) está reforçando a importância das ações de controle e assistência a pacientes vítimas de acidentes com peçonhentos, especialmente escorpiões, junto aos 54 municípios que integram a sua área de atuação.

Esses ataques ocorrem, com maior frequência, nos períodos de altas temperaturas, o que provoca maior deslocamento dos animais à procura de água, alimentos e ambientes mais frescos, dentre eles o interior de residências.

De acordo com a SRS, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) aponta que nos oito primeiros meses deste ano foram notificados 3.471 acidentes com escorpiões no Norte de Minas – média de 433,8 por mês –, sendo que cinco deles levaram ao óbito. No mesmo período do ano passado, o número de casos notificados chegou a 6.015 – média de 751 por mês – com ocorrência de dois óbitos. 
 
MONTES CLAROS
Ao longo de todo ano de 2019, o Hospital Universitário da Unimontes atendeu 2.908 vítimas de picadas do animal peçonhento – média de 242,3 por mês. A média mensal deste ano está um pouco menor – 229 –, o que não abre brecha para a população deixar de ficar atenta.

O médico Guilherme Braga Muniz, coordenador da Clínica Médica do Pronto-Socorro do HU, chama a atenção para os cuidados que as pessoas devem ter para evitar ataques de escorpiões e de outros animais peçonhentos.

“Deve-se fazer a profilaxia ou prevenção na residência, como limpar o quintal, não acumular lixo, ficar de olho e evitar ter locais de alta umidade, ambientes escuros ou materiais como telhas, madeiras acumulados, pois são ambientes ideais para estes animais”, recomenda Muniz. 

“É preciso olhar sempre as roupas e sapatos antes de usar. E, em caso de vir a ser atacado, procurar imediatamente o hospital mais próximo ou o HU, que é referência para estes casos”, orienta o médico.

Criação de 18 polos agiliza atendimento
Para evitar o aumento dos casos notificados e a ocorrência de óbitos, a Superintendência Regional de Saúde sugere que os serviços de vigilância epidemiológica e de saúde dos municípios orientem a população quanto à necessidade de manterem residências e quintais limpos, o que inviabiliza a existência de esconderijos para os animais.

“Em 2019, foram criados 18 polos para atendimento de pessoas vítimas de peçonhentos no Norte de Minas. O objetivo é agilizar os atendimentos nos serviços de saúde e, com isso, reduzir as possibilidades de ocorrência de óbitos”, enfatiza a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SRS de Montes Claros, Agna Soares Menezes.

Além de evitar o desabastecimento de soro nas microrregiões de saúde, a definição dos polos estratégicos levou em consideração informações epidemiológicas e geográficas. Com isso, além do Hospital Universitário Clemente de Faria, sediado em Montes Claros, outras 17 unidades hospitalares de referência na região passaram a ter disponibilidade de soro. Elas estão sediadas nos seguintes municípios: Bocaiuva, Coração de Jesus, Espinosa, Grão Mogol, Francisco Sá, Jaíba, Janaúba, Mato Verde, Mirabela, Monte Azul, Montezuma, Ninheira, Porteirinha, Rio Pardo de Minas, São João do Paraíso, Salinas e Taiobeiras.