No Dia Mundial da Saúde Ocular, médica dá dicas de como cuidar dos olhos

A prevenção é a palavra de ordem quando o assunto é o cuidado com os olhos. Neste sábado se celebra o Dia Mundial da Saúde Ocular e O NORTE conversou com a médica oftalmologista Ariadna Muniz para falar sobre os principais problemas que afetam a visão e os cuidados essenciais com os olhos.
 
Quais os distúrbios visuais mais comuns e como ocorrem?

Temos uma classificação. Dos quatro problemas mais comuns e que levam à perda da visão, o primeiro é a catarata. Essa perda é reversível e, com a cirurgia, a pessoa volta a enxergar. A gente nasce com uma quantidade de células, elas não são regeneráveis e com o passar do tempo ela vai desgastando. Todo mundo vai precisar operar de catarata em algum momento na vida. Operando, o paciente volta a enxergar normalmente. Mas a gente opera quando tem perda de mais de 50% de acuidade visual.


A segunda causa de cegueira no mundo é o glaucoma, mas ele acaba se tornando a primeira irreversível, por isso é muito importante a prevenção. Há uma perda progressiva da periferia para o centro visual. Tem vários fatores que são relevantes no glaucoma. A história familiar, a idade - geralmente após os 40 anos -, pacientes negros e orientais, pacientes automíopes, todos estes são mais suscetíveis. Tendo estes fatores, quanto mais cedo se fizer a consulta e acompanhamento, melhor. Tenho pacientes com 6 anos que têm glaucoma.

A terceira causa são os erros de refração: miopia, hipermetropia, astigmatismo. O teste do olhinho pode ser feito ainda na maternidade para ver se está tudo certo. Em torno dos 4 ou, no máximo, 6 anos é recomendado fazer o exame de vista.

E o quarto distúrbio mais comum é a retinopatia diabética, muito comum nos dois tipos de diabetes. Assim que é dado o diagnóstico, o paciente tem que fazer o exame de fundo de olho, o mapeamento da retina todo ano. Se começa a ter sangramento, que é um problema vascular, tem como intervir precocemente para não deixar chegar ao caso mais agressivo, com o deslocamento de retina e perda grave e irreversível da visão.
 
Qual é o momento de procurar o oftalmologista e como é feito o diagnóstico?

O teste pode ser feito na sala de parto, mas se a mãe notou um globo ocular maior, um olho diferente do outro, mais vermelho do que o outro ou uma mancha branca, deve ir imediatamente ao oftalmologista. Se estiver tudo bem, o exame deve ser feito no máximo aos 6 anos. Se for um paciente diabético tem que ser acompanhado anualmente ou de 6 em 6 meses. O glaucoma é feito um controle a cada 90 dias e, se tiver o pós-operatório, no tempo que o médico recomendar para acompanhamento. Dentro da consulta a gente mede a acuidade visual, faz a retinoscopia para ver o grau correto, fundo de olho para ver como está a retina e nervo óptico. Fazemos o exame de câmara anterior para ver a córnea, a conjuntiva, o cristalino e a tonometria, para medir a pressão e prescrever os óculos ou o que o paciente estiver necessitando.

Como a Covid afeta a saúde ocular e quais os cuidados para evitá-la?

De 1% a 3% da porta de entrada do coronavírus é a conjuntiva, é através dos olhos. Ele leva inicialmente a conjuntivite, o olho fica vermelho e essa contaminação se manifesta com outros sintomas, como perda de olfato, paladar, febre. Recomendamos que as pessoas usem mais os óculos e não façam uso da lente de contato, porque ela não tem essa barreira de proteção. Então, os principais cuidados são: escovação das mãos, usar máscara, porque as gotículas da saliva vão para o ar, usar óculos e evitar lente de contato.
 
O inverno requer mais cuidado com os olhos?

No inverno é mais comum ficarmos com o olho seco, porque a gente bebe menos água, a evaporação da lágrima é maior, há mais chance de uma conjuntivite. Por isso é importante usar lágrima artificial (lubrificantes) e beber bastante líquido.
 
Qual a mensagem para esta data?

A mensagem para este Dia Mundial da Saúde Ocular é sempre a prevenção, especialmente nessa pandemia, que mostrou o tanto que nós não nos cuidávamos. O pós-pandemia vai ser uma lição para todos. O uso do álcool gel, lavar as mãos, enfim, somos vulneráveis e o melhor cuidado é a prevenção. Em qualquer momento que sentir qualquer alteração nos olhos, uma baixa de visão, qualquer sintoma que não está normal, deve-se procurar o oftalmologista. Quero encerrar com a mensagem do nosso saudoso e grande mestre, professor Hilton Rocha: “Para ver, é preciso ter olhos. Para enxergar, é preciso ter alma”.

Somos vulneráveis e o melhor cuidado é a prevenção. Em qualquer momento que sentir qualquer alteração nos olhos, uma baixa de visão, qualquer sintoma que não está normal, deve-se procurar o oftalmologista