Denúncias de que eventos estão sendo realizados em Montes Claros descumprindo as regras determinadas por decreto municipal em função da pandemia deixam o setor em alerta. Após uma ano e meio sem poder trabalhar, o medo dos representantes dessa área é de que o desrespeito leve a prefeitura a proibir novamente a atividade, liberada há apenas uma semana.

A Associação Mineira de Eventos e Entretenimento no Norte de Minas (Amee) alerta as empresas para a necessidade de obediência ao Decreto Municipal que autorizou a volta da realização de eventos no município.

A entidade recebeu denúncias de que alguns espaços promoveram eventos neste fim de semana sem seguir as restrições impostas pelo decreto.

Em um buffet da cidade, uma noiva, profissional da área de saúde, teria realizado a festa de casamento com pista de dança, aparador de self-service e Dj, situações que são proibidas pelo Decreto Municipal.

“A Amee recebe essas denúncias com bastante tristeza. A gente vê que dentro do próprio setor não há empatia e até mesmo consciência de alguns, mas isso é minoria, é exceção, não é a totalidade do setor. Os eventos têm acontecido em sua maioria seguindo à risca os protocolos”, pontua Luiz Fernando Nobre, diretor da Amee.

Ele ressalta que mesmo quando não há concordância com algum ponto do decreto, as determinações têm que ser cumpridas. “Repudiamos tudo aquilo que é excedente ao decreto. Devemos cumpri-lo à risca e, mesmo não concordando, a Amee vai sempre prezar pelo respeito às normas de segurança, pelo protocolo interno da Amee, que prevê o distanciamento social, que não prevê pista de dança e que respeita o horário limite, que é 22h. É estarrecedor receber essas denúncias, pois esperávamos que todos seríamos exemplo, mas infelizmente a gente não tem o controle da fiscalização. Só podemos orientar, e é isso o que estamos fazendo. Vamos conversar com os empresários dos locais denunciados para pedir esclarecimento”, informa Luiz Fernando.

Procurada, a Guarda Municipal informou que não recebeu a denúncia dos casos específicos e que, quando comprovado que o evento está em desacordo com os decretos municipais, o responsável é multado e pode inclusive ser conduzido à delegacia de plantão por crime contra a saúde pública. 

Os convidados estão sujeitos às mesmas sanções aplicadas ao responsável. “Vamos reforçar a fiscalização em salões de eventos no próximo final de semana a fim de conter o aumento da Covid, para que a administração não seja forçada a regredir e determinar novas medidas restritivas”, diz Anderson Chaves, chefe da Guarda Municipal e Defesa Social de Montes Claros.

 
RISCO
Em outro local da cidade, um evento chamou a atenção dos convidados por uma ocorrência inusitada. A noiva desmaiou durante a cerimônia religiosa. Recuperada, deu prosseguimento ao casamento e os convidados se reuniram para a festa.

Dois dias depois, a própria noiva enviou o teste comunicando que havia testado positivo para a Covid-19. Dentre as pessoas que participaram do dia da celebração, uma delas relata que a noiva teria apresentado leves sinais gripais, mas que teriam sido atribuídos à agitação comum ao momento. 

Por ter seguido rigidamente os protocolos e não ter tirado a máscara em nenhum momento, a convidada disse estar tranquila, mas que, mesmo não apresentando sintomas, vai se submeter ao teste.

“Qualquer um de nós está sujeito a contrair a doença ou ser até mesmo assintomático, mas houve uma proximidade dos noivos com os pais e eles retiraram a máscara para comer e fazer fotos. Durante a cerimônia não usaram máscara, ou seja, em alguns momentos não estavam protegidos e houve contato físico. Se existia a percepção dos sintomas, acho que o correto teria sido adiar a celebração. O resultado apareceu apenas dois dias após o casamento. Torço para que as pessoas que trabalharam neste evento tenham se protegido adequadamente”, afirma a convidada, que pediu para não ser identificada.