Além do distanciamento social, do uso de máscaras e álcool em gel, que agora fazem parte do dia a dia, a pandemia veio acompanhada de desemprego, aumento da desigualdade social, violência doméstica e muita dor pela morte de entes queridos. Situações que geram forte impacto econômico, social e emocional.

O norte-mineiro, conhecido como povo acolhedor, tem se mobilizado para ajudar muitas famílias que precisam de alimentos, roupas, medicamentos ou, apenas, de uma palavra de carinho ou um ombro amigo. Grupos de pessoas se uniram para levar cesta básica, um prato de sopa, para aplacar a fome; orações, para acalmar o coração e apoio emocional para quem tem enfrentado a violência ou a angústia dentro de casa. 

Foi durante um desabafo em uma sessão de psicanálise que a engenheira civil montes-clarense Graciana Lessa sentiu uma vontade enorme de ajudar o próximo. Ela é a idealizadora do projeto “Doar Montes Claros”, que tem distribuído cestas básicas, material de limpeza e higiene pessoal, roupas de cama, banho e utensílios domésticos a famílias carentes em diferentes bairros da cidade.

“Sei que o amor de Deus está entre nós, através do doar e do receber, de ver pessoas mobilizadas ajudando e tantas outras necessitadas recebendo esperança, dignidade, acolhimento. Doar não precisa de dinheiro, pode ser algo que não esteja usando, pode ser um item, uma unidade. Juntamos com outras doações e formamos os kits”, conta.

PARCERIAS
O “Doar Montes Claros” tem parcerias com três ministérios, como o “Salva-Vidas”, grupo de voluntários do Hospital Clemente Faria; o “Missão Hospitalar”, da Igreja Batista Esperança e Vida; e o “Planta em minha Vida”.

“Sempre me mobilizei com os pedidos de ajuda, mas agora tudo está diferente. Essa pandemia veio para me sacudir, transformar e nada melhor que ser uma pessoa nas mãos de Deus, sendo moldada. Amar é isso, é Deus. Quem não sabe amar, não conhece Deus. Ajudar o próximo é um ato de amor”, diz Graciana.

Sopa aquece o coração
A pandemia impôs muitas restrições, que vão além daquelas para impedir a propagação do vírus. O número de desempregados cresceu, aumentando a dificuldade de muitas famílias e o número de pessoas vivendo nas ruas das cidades.

Em função disso, a demanda pelas sopas distribuídas pelo projeto “Doadoria” também cresceu. “No ano passado, devido à pandemia, foi preciso interromper as aulas no projeto. Porém, continuamos com a entrega da sopa de forma mais restrita e isolada. Utilizando todo o protocolo da OMS, pudemos perceber que a demanda aumentou”, diz o coordenador do projeto, Willian Borges.

A doadoria nasceu em 2010. Além de assistir crianças e adolescentes com aulas de informática, artes, costura e karatê para os adolescentes e mães, organiza a entrega de sopa para moradores de rua, famílias carentes, pessoas nos hospitais e na porta da Polícia Civil, onde famílias de detentos muitas vezes ficam sem alimento.

“Quando conseguimos doações de cestas básicas, direcionamos às famílias dos alunos do projeto. Regularmente visitamos os bairros deles, levando verduras, cestas e acolhimento”, explica Borges. Segundo o coordenador, quem participa como voluntário do “Doadoria” sabe que, na verdade, quem está sendo ajudado não são as crianças e famílias.

“Quem de fato está sendo ajudado é o voluntário. Cada brilho nos olhos reflete dentro de nosso ser. Cada prato de comida dado que ecoa um ‘Deus lhes pague’ reverbera na alma de todos. Somos muito gratos pela oportunidade que a vida nos deu de ser útil e servir”, afirma.

Para conhecer o projeto, basta acessar: http://www.doadoria.com.br ou no Facebook https://www.facebook.com/doadoria. Ajudas podem ser repassadas também pelo telefone (38) 98405-7523 (Willian).