Cerca de 1.200 alunos moradores dos conjuntos habitacionais Monte Sião I, Monte Sião IV e Minas Gerais, em Montes Claros, correm o risco de ficar com déficit no aprendizado ou até mesmo deixar a escola caso o prefeito Humberto Souto não se responsabilize pelo transporte escolar a partir do próximo mês, data marcada para início do ano letivo.

“O município de Montes Claros disse que não tem obrigação com o transporte por se tratar de escola estadual. Houve uma audiência pública para tratar do assunto e a Secretaria de Educação não enviou nenhum representante. Faltou responsabilidade”, disse Gisléia Felizarda Pereira, moradora do Monte Sião I.

A falta do transporte escolar obriga os alunos a caminhar por três, quatro quilômetros diariamente para irem e depois voltarem da escola. É aproximadamente uma hora sob o sol escaldante ou chuva. Muitos acabam largando o estudo.
 
INSEGURANÇA
Além da longa caminhada, os alunos precisam passar por uma área de matagal que oferece risco à segurança deles, como O NORTE mostrou na edição de 9 de abril de 2019.

A moradora do Monte Sião IV Marta Alencar assegura que está refém da situação. Com duas crianças em idade escolar, uma delas autista, teve que pagar um carro alternativo para levar o filho que não pode sair sozinho. Do dia para noite ela teve a vida alterada.

“Eu nunca precisei pagar para meus filhos estudarem. Tinha direito até ao uniforme e material escolar. Agora não temos direito a nada. De repente, foi cortado. A promessa da prefeitura de continuar com os ônibus foi quebrada. Uma promessa não cumprida é um absurdo muito grande. Fiquei muito triste”, revela a moradora.

“Se tivesse oportunidade de encontrar o prefeito, eu perguntaria qual seria o melhor para ele: ver as pessoas andando para lá e para cá de carro e de moto ou aprender a ler e escrever?”, disse Marta, cujos filhos estão matriculados na Escola Dilma de Quadros, distante cerca de três quilômetros do residencial.

Ao contrário de Montes Claros, Francisco Sá, um dos 30 municípios que está sob a jurisdição da SRE, confirma que cabe ao município administrar a situação para que nenhum aluno fique sem transporte. Os ônibus utilizados na zona rural atendem também a zona urbana. 

“Não passamos de casa em casa, mas existem pontos específicos em que os alunos aguardam o transporte e os ônibus passam, de modo a facilitar o percurso para eles”, diz o prefeito Mario Osvaldo Casassanta, que aposta na educação como um dos pilares do desenvolvimento. 
 
SEM RESPOSTA
A Secretaria de Estado da Educação (SEE), em nota, afirmou que garante o transporte escolar gratuito para os alunos residentes na área rural, de acordo com o que é preconizado por lei e está em dia com os municípios.

A secretária Municipal de Educação, Rejane Veloso, não foi encontrada para falar sobre o assunto. O procurador municipal Otávio Rocha não retornou à ligação até o fechamento da edição.

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