A falta de controle do número de carroceiros em atuação na cidade agrava um outro problema: o da falta de uma política de tratamento e destinação correta de resíduos sólidos. 

Os dados oficiais, da Secretaria de Serviços Urbanos de Montes Claros, mostram que o município tem atualmente cerca de 300 carroceiros registrados. Líderes da categoria, porém, indicam a existência de pelo menos 1.300 profissionais ainda não regularizados. 

Sem controle, não há como garantir que os carroceiros descartem o lixo corretamente em um dos dez Centros de Apoio Simplificado para Carroceiros (Cascos) espalhados por vários pontos da cidade. A consequência é a proliferação de lixo em terrenos em toda a cidade. 

José Luiz dos Santos é carroceiro há 25 anos e conta que um dos motivos que levaram grande parte dos carroceiros a não aderir ao cadastramento da prefeitura é a falta de informação. Ele próprio não é regularizado. 

“Os benefícios não chegaram para quem fez o cadastro. Nós não vimos mudanças para ninguém. É notável um aumento no número de carroceiros por causa da crise. É muita gente desempregada na cidade que precisa levar o sustento para casa. Quem trabalha com carroça é porque não teve oportunidade de seguir outra profissão”, pondera.  

DESCARTE MAUS-TRATOS
Ambientalistas do município e defensores dos animais consideram grave o crescimento do número de carroças e a falta de destinação correta dos resíduos sólidos. A engenheira ambiental Aline Nascimento defende até a extinção da atividade. 

“O que ocorre é que o carroceiro excede a sua carga porque o contratante se recusa a pagar mais de uma viagem e ele, para não perder o dinheiro, não respeita o limite do animal. O equino quando fica em idade avançada é simplesmente descartado. Essa discussão tem que ser trabalhada com mais força”.

Segundo o advogado Bruno Freitas, criar cavalos em área urbana não é proibido por lei, desde que não cause transtornos à vizinhança. “Agora, o que precisamos corrigir em Montes Claros é que alguns carroceiros são extremamente imprudentes. Esses merecem ser reeducados para o convívio em sociedade”.

A população pode ajudar na fiscalização, denunciando junto à Secretaria de Serviços Urbanos os carroceiros que estejam descartando entulho em locais não autorizados. Por meio da identificação é possível punir os profissionais e até mesmo apreender a carroça. Neste caso, para reaver o animal o proprietário terá de pagar taxa de aproximadamente R$ 22,74, mais a diária de R$ 4,74 por equino recolhido.