Nesta última quarta-feira (30), ações de manejo populacional de cães e gatos foram discutidas como medida de saúde pública e proteção animal por gestores e representantes de prefeituras do Norte de Minas. O seminário foi promovido pelo Consórcio Intermunicipal Multifinalitário para o Desenvolvimento Sustentável do Norte de Minas (Codanorte) e pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Este último órgão coordena ações como a microchipagem, castrações e campanhas educativas em parceria com municípios, ONGs e o Ministério Público.
“O manejo é feito pelos municípios com apoio do Estado, e não o contrário. O Estado atua para agregar na questão da fauna doméstica. Todos os municípios são obrigados a cumprir com a proteção da fauna e flora e, quando não o fazem, existem penalidades para isso”, explicou Thiago Arcanjo, analista da Semad. A secretaria trabalha tanto com a fiscalização institucional, como a de campo, a fim de identificar os pontos críticos dentro do território mineiro. Para diminuir as doenças zoonóticas, o primeiro passo, sugere o analista, é a contagem desses animais. As iniciativas são incipientes e ainda não foram absorvidas de maneira integral pelos municípios. Em Montes Claros, por exemplo, a contagem efetiva ainda não aconteceu. Em maio de 2025, a prefeitura divulgou uma estimativa de 7 000 cães e gatos de rua, mas os dados constituem somente um estudo preliminar do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Não houve o censo ou contagem direta.
Ludmila Azevedo, médica veterinária de Padre Paraíso, diz que o problema da cidade é similar ao de todas as cidades do país e o município está se estruturando para a criação de políticas públicas, a fim de solucionar as ocorrências de abandono ou maus tratos, sendo as mais recorrentes. “Há uma cobrança da população. Todo mundo vê um animal de rua e acha que é um problema e é, realmente. Só que ele aponta para um problema dentro de casa. Os animais de rua são a ponta do iceberg. Ele não brota na rua. Há uma empolgação de pessoas que colocam animais para cruzar ou começam a criar e não dão conta, daí vem o abandono”, analisa.
Para a veterinária, além do processo de educação, que começa nas escolas, a castração é uma medida que pode ser ampliada para a esfera doméstica. “Quase sempre só olham para os de rua, porque eles incomodam a quem gosta, a quem não gosta, tem o problema de saúde pública, de mordida, de mexer no lixo, mas falta principalmente a guarda responsável”, declara a médica que pretende levar o castramóvel da Codanorte para o município.
Karine Mendes, coordenadora do projeto de Manejo e Castração da Codanorte, destaca que o trabalho de castração de cães e gatos envolve, além dos animais de rua, os animais domésticos, especialmente de população de baixa renda. Para ter acesso, o município interessado deve entrar em contato com o Consórcio e, formalizada a documentação, é marcado um cronograma de visita. O alvo são cães e gatos, machos e fêmeas, a partir de seis meses até dez anos. A equipe faz o pré-operatório, que inclui avaliação técnica, observação do peso, jejum de no mínimo 12 horas, entre outras condições. “Analisadas essas situações, ele é encaminhado à castração. É preciso haver algum responsável legal pelo animal, porque ele precisa ser acompanhado por pelo menos uma semana após a cirurgia. Castrado, ele sai de lá com o chip e depois que está consciente, a gente orienta o responsável para que ele seja medicado mais uma semana”, diz Karine.
Até o momento, conforme a coordenadora, foram realizadas pelo consórcio no Norte de Minas, 1716 castrações de cães e 488 de gatos. A expectativa é que, este ano, a ação, que está prevista para começar em setembro, supere esse número.