ponte para o progresso

Em São Francisco, andamento de obra vai facilitar vida das pessoas

Antiga demanda da comunidade, ponte terá 1.220 metros e será uma das maiores do Estado.

Da Redação*
13/06/2022 às 22:15.
Atualizado em 14/06/2022 às 10:17
A construção da ponte vai gerar mais mobilidade e circulação de mercadoria, além de facilitar o acesso ao Distrito Federal. (Cristiano Machado/Divulgação)

A construção da ponte vai gerar mais mobilidade e circulação de mercadoria, além de facilitar o acesso ao Distrito Federal. (Cristiano Machado/Divulgação)

A travessia demorada e onerosa feita por balsa há décadas entre São Francisco e Pintópolis, no Norte de Minas, está parecendo cada vez mais perto do fim. Situação que deixa moradores e quem precisa transpor o rio São Francisco cheio de esperanças de ter uma vida mais fácil.

A balsa será substituída por uma ponte com pouco mais de um quilômetro de extensão sobre o rio que deu nome à cidade. A expectativa é a de que a obra, que já está em andamento, leve mais progresso para a região e qualidade de vida para moradores.

A ponte, de 1.120 metros de extensão – uma das maiores do Estado –, no acesso ao município de Pintópolis pela rodovia MG-402, é uma demanda antiga da comunidade.

À medida que as equipes do Departamento de Edificação e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) fazem a sondagem do terreno na área, iniciam as escavações do aterro e a regularização do solo de acesso ao areal, a população local e os motoristas passam a vislumbrar a obra.
 
CUSTOS

Hoje, quem pretende passar de um lado ao outro do Velho Chico recorre a embarcações, como no caso de professoras e alunos que precisam atravessar de barco para ir e voltar a uma escola ribeirinha, e pagar até R$ 100 mensais por pessoa.

Já os motoristas que precisam atravessar o rio pela balsa pagam R$ 5, R$ 15, R$ 70 ou, às vezes, até R$ 400 por travessia, dependendo da dimensão do veículo.

A opção pela balsa acaba onerando quem transita pela região, como é o caso do caminhoneiro Antônio da Silva Oliveira. Ele passou pela primeira vez pelo local para transportar caixas d’água até Pintópolis e lamentou o alto custo da travessia.

“Há alguns dias, já gastei R$ 100 para ir e voltar de balsa em São Romão. Agora vou gastar R$ 130 para ir e voltar aqui (São Francisco). Acaba pesando no bolso”, afirma, relatando também a espera pelo embarque como obstáculo. “Ficamos parados muito tempo esperando. Para quem está na correria, acaba atrasando”, diz. 

Morador de Brasília de Minas, o também caminhoneiro Amílcar Antunes Pereira fica de segunda a sexta-feira em São Francisco, de onde faz o transporte de brita para Pintópolis e Urucuia. O maior problema, para ele, também são os atrasos.

“A balsa é muito boa, consegue transportar caminhões e carretas, mas isso aqui é um atraso de vida. Faço esse percurso umas duas ou três vezes por dia, às vezes tenho que ficar esperando por uma hora para conseguir passar”.

Mais qualidade de vida

A demora para conseguir fazer a travessia impacta até mesmo na segurança da população. Policiais militares afirmam que o tempo de espera impacta no atendimento de ocorrências, como assaltos, diante da necessidade de deslocamento de viaturas para o outro lado do rio.

O acesso à balsa, hoje feito por estrada de terra dos dois lados do rio, é outra dor de cabeça para os motoristas, que enfrentam problemas com a manutenção dos veículos.

Para essa dificuldade, além da construção da ponte, a intervenção no local prevê acesso asfaltado de aproximadamente três quilômetros da MG-402.

Mesmo quem não precisa pagar pelo transporte na balsa – no caso de pedestres e ciclistas – anseia pela ponte. É o caso do agricultor Valdomiro Ferreira dos Santos, que atravessa com a bicicleta, com a qual percorre mais dois quilômetros para chegar à fazenda onde trabalha fazendo plantação de milho e mandioca.

“Há uns cinco anos já tive que dormir na balsa e esperar pra descer na manhã seguinte porque ela encalhou”, lembra. O risco de encalhar aumenta à medida que a altura do rio abaixa – o que é comum no período de estiagem.
 
EVOLUÇÃO

Eliene Alves Cordeiro, que trabalha em uma barraquinha próxima à balsa, diz que a ponte vai melhorar muito o acesso dos moradores aos serviços de saúde.

“A evolução é boa, vai ajudar muita gente e no transporte de ambulâncias do Samu para o hospital de Pintópolis. Já teve gente morrendo dentro da balsa porque não deu tempo de chegar. Tem uma senhora aqui na beira do rio que já teve que fazer vários partos de emergência”, afirma.

Ela acredita que a região deve receber, também, maior fluxo de pessoas. “Quem vai a Brasília deixará de fazer o trajeto por Januária e passará a fazer por aqui, que é mais perto”, observa.

Essa é justamente a expectativa do coordenador regional, Ronilson Ribeiro da Silva. “A construção da ponte será a realização de sonho dos norte-mineiros, pois irá impulsionar ainda mais a economia, melhorando o escoamento da produção de grãos da região, criando uma nova rota da interligação do Nordeste do Brasil, passando por Montes Claros, com os estados de Goiás e Mato Grosso, além do Distrito Federal, no Centro Oeste do país”, afirma.

*Com Agência Minas

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