Termina hoje o prazo fixado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) para os municípios apresentarem o relatório sobre os danos causados pela estiagem do ano agrícola 2019/2020. Segundo levantamento da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), o Norte de Minas perdeu 30.424 toneladas de lavoura devido à seca.

Os produtores devem apresentar o Formulário de Informações de Desastre (Fide) para receber recurso financeiro do Estado. 

De acordo com a Cedec, quem não preencher o formulário perderá as verbas, pois o Estado fechará o decreto da seca nesta quinta-feira. Um dos benefícios é o recebimento de caminhões-pipa com água potável para abastecer as comunidades flageladas.

O relatório agrocli-matológico realizado pela Emater em 22 municípios norte-mineiros mostra que as chuvas da safra 2019/2020 estão boas, pois em Montes Claros foi de 1.001,9 milímetros e, em Francisco Sá, de 1.132,5, com uma média de 1.109,6. Mesmo assim, ocorreram perdas de 30.424 toneladas na produção de arroz, feijão, milho e sorgo. No feijão da primeira safra, o prejuízo foi de 3.734 toneladas, o do sorgo forrageiro ficou em 975 e do milho, perdas de 25.626 toneladas.

“O Norte de Minas tem a economia baseada no setor agropecuário, na maioria dos municípios, onde a produção agrícola e pecuária tem um significado econômico e social muito grande. A distribuição das chuvas em 2019/2020 tem sido de forma irregular, sendo caracterizada pela concentração de chuvas nos meses de janeiro e março/2020 e veranicos pronunciados nos meses de dezembro/2019 e fevereiro/2020”, explica o gerente regional da Emater, Ricardo Peres Demichelle. 

O formulário deve ser preenchido no site da Defesa Civil (www.defesacivil.mg.gov.br). 
 
SECA
Segundo a Emater, a região vem sofrendo com a seca desde 2011. No último ano, apesar do volume total precipitado ter permanecido dentro da média histórica, a produção de grãos foi afetada. A estimativa é de uma perda de 28,8% no volume de produção, sendo que o ano agrícola se encerra em junho deste ano.

Neste contexto, a produção de grãos no Norte de Minas, apesar da baixa competitividade quando comparada com outras regiões mineiras, em função das adversidades climáticas, é de vital importância econômica e social para a região. 

O volume total observado das chuvas até então não foi suficiente para reposição dos aquíferos e mananciais, devido aos déficits de anos anteriores, afetando principalmente o volume de água acumulado das barragens da região.

Além do problema com a seca, os efeitos diretos e indiretos causados pela pandemia da Covid-19, e suas consequências na dinâmica de vida da população rural e urbana, impactaram no setor.

O escoamento e comercialização da produção agropecuária e agroindustrial foi prejudicado. Além disso, as restrições impostas à comercialização de insumos, produtos e serviços, comprometendo os mercados convencional e governamental (PAA/PNAE), afetaram ainda mais a renda.