O que era considerada uma atividade secundária em uma propriedade rural de Riacho dos Machados, no Norte de Minas, passou a ocupar o posto principal depois que os agricultores prestaram atenção na “galinha dos ovos de ouro” que tinham no quintal.

A criação de galinhas era quase ignorada pela produtora Isabel Rodrigues, na fazenda Jurema. Tanto que a família comprava pelo menos quatro pentes de ovos e frangos todo mês para consumo próprio. 

“Antes comprávamos ovos: o branco para biscoitos e até ovo caipira. Também comprávamos frango dos vizinhos. Não contávamos como atividade. Depois da visita do técnico, mudou muito, tanto que resolvemos investir para agregar mais valor para nossa família”, conta Isabel.

A mudança aconteceu depois que o técnico de campo Udilésio Oliveira Santos, que atua no programa Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg/Senar/Inaes, visitou a propriedade, que tem espaço, alimentação e água para garantir a avicultura. Com a orientação de Udilésio, Isabel aprendeu a diversificar e investir em uma atividade rural que passava despercebida pela família.
 
PRÁTICAS ADOTADAS
As primeiras mudanças começaram com o trato dos animais já existentes. As aves passaram a ser alimentadas com rações alternativas e disponíveis na fazenda, como a rama de mandioca seca, sobras da produção de hortaliças misturadas a outros componentes. 

Foi introduzido o sistema semiconfinado e o melhoramento da genética das aves. Um ano depois do começo da assistência técnica, o plantel aumentou de 20 para 80 aves de recria e mais 45 poedeiras.

“Assim que entrei no ATeG, quatro meses depois já estava vendendo frango e fiquei impressionada. Nas primeiras vendas, recebei R$ 750, fiquei entusiasmada”, conta a avicultora.

Isabel Rodrigues relata a importância dos cuidados com vacinação, vermi-fugação, medidas que antes não eram adotadas na propriedade. “Agora mesmo minhas vizinhas estão lamentando a morte das galinhas nessa época, a troca de pena, a gente nem observava. Todo mundo reclamando, e graças a Deus as minhas estão todas sadias, bonitas, botando e só aumentando”, comemora Isabel.

Durante a fase de elaboração do planejamento estratégico, o técnico de campo identificou o potencial produtivo da propriedade para a cadeia de avicultura.

Udilésio Oliveira percebeu que havia condições para a expansão da atividade, o uso de máquinas e equipamentos subutilizados na fazenda que poderiam auxiliar nos trabalhos e a existência de um mercado consumidor carente de produtos de qualidade.

Animada com o retorno, Isabel e o marido, Aneilson dos Reis, estão ampliando o espaço de criação. “Com a orientação do técnico, instalamos o galpão, adquirimos a chocadeira, estamos fazendo tudo certinho”, destaca Isabel.

O galpão, para alojar até 500 aves, começou a ser construído em outubro do ano passado em uma área de 3 hectares, exclusiva para a avicultura. A meta é produzir 100 frangos por mês e atingir um plantel de 50 aves em postura.

Potencial valorizado
O programa de ATeG Avicultura em Riacho dos Machados atende um grupo de 30 pequenos produtores rurais. “Com o trabalho do ATeG, os produtores têm percebido o potencial de crescimento da atividade. A partir de um planejamento estratégico, é definido um cronograma que permite ao técnico e ao produtor focarem nas ações que são essenciais para o futuro da atividade”, destaca João Thomaz Cruz Silva, supervisor de ATeG de Avicultura.

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Riacho dos Machados é um dos principais parceiros do Senar Minas na mobilização das famílias assistidas. “A assistência técnica junto aos criadores de galinhas caipiras vem sendo um sucesso, os agricultores têm melhorado a qualidade e a quantidade, atendendo cada vez mais o mercado e promovendo crescimento pessoal e profissional”, diz Joeliza Aparecida de Brito Almeida, agricultora e presidente do Sindicato.