O Ministério Público determinou o fechamento do centro especializado no enfrentamento ao coronavírus em Januária. Segundo o órgão, o local onde a estrutura foi montada tem grande aglomeração de pessoas, o que não seria recomendado pelo Ministério da Saúde, devido ao risco de contágio da Covid-19. O município registra atualmente 21 casos da doença e um óbito. 

O centro para tratamento contra o novo coronavírus foi montado em abril para receber pessoas com suspeitas de terem contraído o vírus e também casos já confirmados da doença. A tenda foi instalada na praça Tiradentes, região central da cidade. No mesmo espaço há uma agência da Caixa Econômica Federal, com grandes filas diariamente. 

A situação gerou indignação nos januarenses, vez que o único hospital ainda receberá leitos de UTI. Segundo a Secretária de Saúde de Januária, o município aguarda 10 respiradores para atender também a população de cidades vizinhas. 

“Fico pensando se a retirada da tenda não nos deixa ainda mais vulneráveis ao vírus”, pondera o comerciante Aldinei França. 

Sem o centro especializado, pessoas com sintomas gripais ou da doença acabam se misturando com demais pacientes nos pontos de estratégia da saúde. Quem procura os postos para tomar vacina ou pegar medicamentos, por exemplo, fica de “cara” com o vírus da Covid-19. 

“Eu já estava receosa em procurar um posto de saúde para pegar meus medicamentos para diabetes. Agora que sei que estes locais ficarão ‘abarrotados’ de gente, não irei mesmo”, afirma a auxiliar de caixa Daniela Cordeiro. 

O prefeito de Januária, Marcelo Felix (PSB), disse ter cumprido a determinação do MP contrariado. 

“É um retrocesso essa medida, vez que investimos pensando nos cidadãos, principalmente aqueles que precisam de atendimento diferenciado devido ao vírus ou quando têm que procurar os postos de saúde para outras finalidades”, diz Felix.

A Secretaria de Saúde informou que um novo ponto para instalação do hospital de campanha foi apresentada à Superintendência Regional de Saúde – o local indicado é um lote vago na mesma rua do hospital da cidade. Ainda segundo a Secretaria, o MP precisa aprovar a nova localização.