O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, esteve nesta segunda-feira (3) em Salinas, umas das cidades do Norte de Minas mais atingidas pelas chuvas dos últimos dias, e sobrevoou também os municípios de Rio Pardo e Porteirinha. Na região, ele se reuniu com prefeitos e anunciou recursos para a reconstrução das cidades.

Até o momento foram disponibilizados pelo governo federal R$ 47 milhões direcionados a ações de reconstrução de infraestrutura danificada e como resposta aos desastres naturais. A expectativa do prefeito de Salinas, Joaquim Neres Xavier (Quincas), é voltada principalmente para a realização do desassoreamento do rio Salinas, a fim de evitar novos desastres.

“Houve muita destruição da parte pública e também da parte privada. Empresários que perderam tudo e cidadãos que perderam suas casas. Esperamos que o governo possa contribuir com a cidade como um todo para que a vida volte ao normal. A economia foi bastante afetada e empregos que são gerados por essas empresas foram destruídos. Precisamos recuperar pontes, estradas, ruas da nossa cidade e a grande preocupação é com o desassoreamento do rio para voltarmos à normalidade”, disse o prefeito.
 
MEDIDA PROVISÓRIA
O ministro Rogério Marinho destacou que já foram editadas duas medidas provisórias pelo governo federal disponibilizando recursos para o socorro aos municípios e às vítimas da chuva – tanto em Minas quanto na Bahia. Uma terceira vai depender especialmente da agilidade dos gestores, que deverão apontar a necessidade de cada município. 

“Preciso saber de todos os dados. Quantas casas, quantos metros de calçamento, quantos prédios públicos e só vou poder acionar o Ministério quando eu receber a informação de vocês. Precisamos de rapidez, mas quero segurança para que a informação chegue inteira, de forma íntegra. Toda questão ligada à saúde pública deve ser, juntamente com a questão social, centralizada na Defesa Civil” afirmou o ministro.

Para o gestor da pasta, é preciso esperar as águas baixarem um pouco para que cada município possa fazer um diagnóstico mais assertivo. “Realmente houve uma destruição, um ataque contra a infraestrutura das cidades que gerou problemas e transtornos à população de cada um desses municípios e distritos. Sabemos de forma preliminar que há necessidade de se fazer reconstrução de pontes, estradas vicinais, construção de casas, de mercados, postos de saúde, mas não sabemos em que dimensão isso vai ocorrer. Por isso, estamos aqui ‘in-loco’ com os prefeitos, orientando para que façam os seus planos de trabalho, avaliação e diagnóstico. Nosso papel é consolidar estes dados e levantar os recursos junto ao Congresso Nacional. O governo vai disponibilizar a MP”, diz.

SAIBA MAIS
Até esta segunda-feira, Salinas contabilizava um saldo de 756 famílias atingidas pelas chuvas, com 25 desabrigados. A parte mais atingida foi a área central da cidade e a situação mais comovente foi a do asilo municipal, que abriga 38 idosos e foi totalmente destruído. Os residentes da instituição foram levados para o Instituto Federal.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social continua fazendo o levantamento de danos, especialmente na zona rural, onde pontes foram destruídas e o acesso para levar alimentos só é feito a pé, a cavalo ou com motocicleta.

De acordo com a secretária da pasta, Adelane Gomes, a cidade está passando por um surto de gripe por causa da lama espalhada pelas ruas. A Secretaria Municipal de Saúde está acompanhando a situação. “Foi um trauma, ninguém esperava passar por isso. Estamos unindo forças e trabalhando para superar”, afirma.

O ministro Rogério Marinho disse que o governo vai disponibilizar as vacinas para doenças oportunistas que ocorrem após inundações. 
 
Porteirinha
Em Porteirinha, dados do final de semana apontam 108 desabrigados e 200 pessoas desalojadas. Quarenta casas foram danificadas e 35 residências destruídas. A inundação do rio Mosquito provocou danos em estradas e pontes.

Em Janaúba, 56 famílias foram cadastradas para o abrigo, porém, algumas delas preferiram ficar em suas casas e são assistidas pela Secretaria de Promoção Social. O bairro São Vicente foi o mais atingido e a prefeitura trabalha para fazer a drenagem no local, bem como a recuperação do sistema viário, especialmente na avenida Beira Rio, uma das principais da cidade, sequência da BR-122, de competência do governo do Estado. O prefeito José Aparecido levou a demanda ao ministro Rogério Marinho.

“Estar perto da população neste momento é o mínimo que podemos fazer. Todo apoio necessário está sendo proporcionado e com a força-tarefa estamos aliviando os transtornos causados pela chuva constante que cai sobre a cidade e região”, disse o prefeito.