Em pleno início de feriadão, que já puxa os preços para cima, a Petrobras anuncia mais um aumento da gasolina e do gás de cozinha. A partir deste sábado (9), o reajuste será de 7,2% em cada um dos insumos. A previsão é a de que o litro da gasolina chegue ou até ultrapasse os R$ 7 nos postos mineiros. Já o gás, que era encontrado por até R$ 118 em Montes Claros, pode ultrapassar os R$ 127. 

Esse novo reajuste pega o consumidor em uma situação já extremamente complicada, com orçamento doméstico apertado com tantas altas registradas neste ano. Alimentação, energia elétrica, combustíveis e gás já sofreram aumentos que têm penalizado o trabalhador e feito a inflação disparar.

“Está cada vez mais difícil para o consumidor, para a dona de casa e para o montes-clarense manter a cesta básica de produtos e serviços. Estamos na primeira semana de outubro e esse aumento anunciado para a gasolina e o gás de cozinha vai impactar sobremaneira na inflação de outubro e no bolso das famílias”, afirma a economista Vânia Villas Bôas, professora da Unimontes.

Com a alteração do preço praticado pela Petrobras, o litro da gasolina passará de R$ 2,78 para R$ 2,98 nas refinarias. No caso do gás de cozinha, o preço médio passará de R$ 3,60 para R$ 3,86 por quilo. 

De acordo com a empresa, o reajuste é consequência da disparada do dólar e das cotações do petróleo no mercado internacional, que estão nos níveis mais elevados em três anos, de forma a evitar o desabastecimento no país.
 
ACUMULADO
Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostram que o preço final da gasolina subiu 39,6% e o do gás, 34,67%, nos últimos 12 meses no país.

“Foram sucessivos aumentos e isso tem impacto muito grande no orçamento das famílias, porque vai influenciar na alimentação da residência e na alimentação fora de casa”, ressalta a professora da Unimontes.

Segundo ela, será inevitável que os donos de bares e restaurantes repassem aos clientes os novos aumentos. Situação confirmada por Diego de Macedo, proprietário da Einstein Cervejaria.

“Está ficando insustentável. Vamos ter que fazer um reajuste geral dos nossos preços”, afirma o empresário. Segundo ele, o consumo do empreendimento é de um cilindro de 45 kg de gás a cada sete, dez dias. “Isso é um dos principais custos da nossa cozinha. O momento é de crise, estamos com vários custos sendo aumentados todos os dias”, lamenta.

Reajustes não param por aí
Os aumentos em sequência no preço da gasolina têm pesado muito no processo inflacionário, segundo a economista Vânia Villas Bôas, e castigado o trabalhador. “Ela compromete 5% do orçamento familiar e reflete ainda nos preços cobrados para manutenção de veículos e no transporte. Aqui em MOC temos grande número de trabalhadores que atuam como motoboy, motorista de aplicativo e taxista. Eles vão ter que repassar o aumento para o preço final. Quem paga isso é o consumidor”, analisa a professora da Unimontes. E a preocupação, segundo Vânia, é a de que há uma tendência para que os preços da gasolina continuem em alta. “As atividades econômicas estão voltando à normalidade, graças ao controle da pandemia, e isso tende a puxar o preço do petróleo no mercado internacional. O combustível deve aumentar mais até o fim do ano”, prevê.

*Colaborou Márcia Vieira