A adoção de medidas mais restritivas contra o novo coronavírus em vários municípios mineiros, e até no país, tem justificativa nos números da Covid. O Estado registrou, em fevereiro, o maior número de mortes pela doença. Em 28 dias, 3.505 mineiros perderam a vida para o vírus, segundo dados do boletim epidemiol-ógico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). O recorde anterior havia sido atingido nos 31 dias de janeiro, com 3.158 óbitos.

No país, fevereiro – o mês do Carnaval – foi o período com o segundo maior número de óbitos, desde o início da pandemia, há um ano. Foram confirmadas 30.484 mortes, maior número desde julho do ano passado. Segundo o boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, três estados bateram recorde de mortos: Minas Gerais e Rondônia, pelo segundo mês consecutivo) e Roraima.

Em Montes Claros, a quantidade de vítimas fatais da Covid em fevereiro não é a maior. O recorde pertence a agosto (55 vidas perdidas). No entanto, os 37 óbitos do mês passado mostram um crescimento em relação a meses anteriores. Em janeiro foram 29 e, em dezembro de 2020, eram 16.
 
MAIS RESTRIÇÃO
Em função do cenário de alerta, os secretários estaduais de Saúde divulgaram nesta segunda-feira (1º) uma carta aberta à nação em que pedem maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais, incluindo restrição total nas localidades onde a ocupação de leitos estiver acima de 85% e houver tendência de elevação no número de casos e óbitos por Covid-19.

No documento, os membros do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) solicitaram a proibição de eventos presenciais como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e similares em todo o país. O conselho também requer a suspensão das aulas presenciais em todos os níveis da educação do país e toque de recolher nacional de segunda a sexta, das 20h até as 6h, e durante os fins de semana. O documento solicita também o fechamento de praias e bares, a adoção de trabalho remoto e o aumento da testagem contra a doença. 

O Conass pede o reconhecimento legal do estado de emergência sanitária e a viabilização de recursos extraordinários para o Sistema Único de Saúde (SUS) e a imple-mentação imediata de um plano nacional de comunicação para reforçar a importância das medidas de prevenção e esclarecer a população.

“Entendemos que o conjunto de medidas propostas somente poderá ser executado pelos governadores e prefeitos se for estabelecido no Brasil um ‘Pacto Nacional pela Vida’ que reúna todos os poderes, a sociedade civil, representantes da indústria e do comércio, das grandes instituições religiosas e acadêmicas do país, mediante explícita autorização e determinação legislativa do Congresso Nacional”, finaliza a carta.

*Com Agência Brasil