A farinha de mandioca ou de milho, um dos ingredientes tradicionais da culinária mineira, pode virar patrimônio histórico do Estado, a partir da iniciativa de criar um inventário para catalogar os tipos, qualidade e onde são produzidos. A iniciativa é do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e visa valorizar a culinária mineira. 

No Norte de Minas, uma das farinhas mais cobiçadas pelos consumidores é produzida na região de Morro Alto, no município de Bocaiúva. Em 2009, o produto recebeu selo de qualidade do Sebrae, pois havia estabelecimentos comercializando farinha de outra procedência, com embalagem de Morro Alto. 
 
FALSIFICAÇÃO 
A catalogação, que será realizada até o fim de 2020, pretende evitar esse tipo de falsificação, garantindo o padrão de qualidade da farinha mineira. A pesquisa também identificará moinhos de milho e casas de farinha. 

O levantamento será a primeira frente de trabalho para o desenvolvimento do estudo, para identificar as práticas relacionadas às cozinhas mineiras e sua diversidade em todas as regiões do Estado. O cadastramento dos produtores e das casas de farinha, neste momento inicial, se dará por meio de formulário eletrônico, disponível no site do Iepha-MG (www.iepha.mg.gov.br). 

A expectativa é que prefeituras, pesquisadores e sociedade em geral participem do levantamento. Ao final do estudo, serão propostas medidas de proteção e salvaguarda desses bens culturais. 

Produtores como os de Bocaiúva ensinam que os principais procedimentos para garantir uma farinha de qualidade são localização adequada da unidade de processamento; utilização de medidas rigorosas de higiene dos trabalhadores na atividade; limpeza diária das instalações e equipamentos; matéria prima de qualidade; tecnologia de processamento, embalagem e armazenamento.