Diante de uma possível terceira onda da Covid-19, o Brasil pode voltar a sofrer com a falta de insumos para intubar pacientes em estado grave e até com o desabastecimento de oxigênio hospitalar. Além disso, a variante indiana do coronavírus preocupa especialistas, que temem a disseminação da cepa pelo país. 

Para o infectologista Unaí Tupinambás, do Comitê de Enfrentamento à Pandemia em Belo Horizonte, a atual situação no país é dramática, principalmente, pela previsão do aumento acelerado do número de infectados. Até o momento, o Ministério da Saúde confirma 449 mil mortes pela doença.

Minas Gerais registrou 6.347 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, conforme boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) nesta terça-feira (25). Desde o início da pandemia, em março do ano passado, o novo coronavírus já contaminou mais de 1,5 milhão de mineiros.

O balanço também atualizou o número de óbitos. Até o momento, 39.176 pessoas já perderam a vida após contrair a doença. Em um dia, foram 48 mortes. Já os recuperados somam mais de 1,4 milhão. Outros 81.436 pacientes ainda estão em observação, internados ou em isolamento social.
 
Montes Claros
O último boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros, no dia 21, aponta 32.064 casos da doença, com 809 mortes. O município tem 11.598 pacientes sendo investigados, sendo que 169 deles estão hospitalizados – 119 são moradores da cidade e 50 de outras localidades.

“Há projeções de que podemos chegar a mais de 500 mil mortes a partir do fim de junho, início de julho”, afirmou o médico.

Atrelado a isso, existe o risco de circulação da nova cepa, que ainda é pouco conhecida pela ciência. Com o sistema de saúde combatendo o vírus há mais de um ano, o cenário pode ser ainda mais grave se a mutação da Índia for mais contagiosa que a P1, de Manaus.

“Pega um sistema de saúde completamente combalido, cansado, estafado, esgotado. E pode, sim, faltar insumo novamente para intubação, oxigênio em algumas capitais”, afirmou Unaí Tupinambás.

No entanto, segundo o especialista, há indícios de que as vacinas da Pfizer e da Astrazeneca fazem frente à nova variante do vírus.