A Caixa Econômica Federal reduzirá, a partir do próximo dia 3, a taxa de juros cobrados de pessoas físicas para construção individual ou aquisição de lote individualizado. A decisão levou em conta o fato de as medidas de isolamento social decorrentes da pandemia terem despertado o interesse por novas formas de habitação, com aumento da procura por casas com quintal, espaço e proximidade com a natureza, sem aglomerações ou elevadores.

No caso de lotes urbanizados, os valores financiados poderão variar de R$ 50 mil a R$ 1,5 milhão, com taxa de juros efetiva de 8,5% ao ano mais TR. A cota de financiamento é de até 70% sobre o valor de avaliação do terreno. O prazo para pagamento da dívida é de até 20 anos. 

Nas modalidades destinadas à aquisição de terreno e construção e de construção em terreno próprio, as taxas de juros podem chegar à TR mais 6,5% ao ano.

A instituição anunciou ontem também a disponibilização de crédito pessoal com garantia de imóvel, o chamado home equity. Essa modalidade possibilita taxa de juros menor na comparação com outras de crédito pessoal, além de ter uma garantia mais sólida para a Caixa. As taxas variam de 0,6% a 0,9% ao mês. O prazo máximo de financiamento é de 15 anos.

Na modalidade de crédito pelo IPCA, a taxa mensal será a partir de 0,60% ao mês, com garantia de 50% do valor do imóvel. Em todas as modalidades, o prazo máximo de financiamento é de 15 anos.

“Ao criar as novas linhas de financiamento, a Caixa tem expectativa de emprestar R$ 40 bilhões”, salientou o presidente da instituição, Pedro Guimarães. Isso representa um aumento em mais de dez vezes em relação aos atuais R$ 3,5 bilhões, que representam 32% do market share que coloca a Caixa como líder em um mercado que movimenta R$ 11 bilhões no Brasil.

Segundo o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais, Silvio Saldanha, as medidas são positivas e vêm para somar tanto para quem precisa de capital de giro quanto para quem quer financiar um terreno neste momento, com custo menor. “Essa proposta do banco, de reduzir as taxas para 8,5% e, em algumas modalidades, 6,5%, vai trazer um ganho muito maior, porque a prestação vai ficar pelo menos metade do valor do que se fosse contratado direto com o vendedor”, salienta.

Em relação ao home equity, Saldanha aconselha a pegar o mínimo de dinheiro possível e a quitar a dívida com maior rapidez. “Dar o imóvel é mais seguro para o banco. No entanto, a legislação é pesada e permite com três parcelas em aberto a instituição promova a execução extrajudicial e deixar a pessoa sem o imóvel e sem tudo o que pagou”, salienta.

O presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB Minas, Kênio Pereira, avalia que com a pandemia, as pessoas estão valorizando espaços maiores, com o de casas. E essa medida da Caixa vem atender esse público, que começa a crescer agora com a pandemia. Já em relação ao home equity, ele salienta que é necessário ficar atento às taxas de juros, que podem ser o dobro de quando se financia um imóvel, superando os 20% ao ano.

“Bancos emprestam e sabem que a garantia é muito maior, só que o empréstimo vira bola-de-neve e aumenta num percentual que pode chegar ao dobro do custo financeiro efetivo”, salienta.

*Com Agência Brasil