Mais de 300 mil alevinos, de diversas espécies, foram reintroduzidos na bacia do rio São Francisco neste ano pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Dentre elas, espécies ameaçadas de extinção, como a matrinxã.

No final de novembro, foram 184 mil alevinos das espécies nativas curimatã-pacu, matrinxã e pacamã soltos em Montes Claros e região. Eles se somam aos 132 mil alevinos já soltos no primeiro semestre deste ano.

A proposta é revitalizar os cursos d’água e recompor o estoque pesqueiro da bacia do Velho Chico, melhorando a variabilidade genética, disponibilizando fonte de proteína animal para o consumo dos ribeirinhos, além de fortalecer o turismo urbano aliado à educação ambiental.

Os rios e córregos beneficiados por essa ação ficam nas cidades de Três Marias, Patos de Minas, São João da Lagoa, Esmeraldas, Nova Porteirinha, Janaúba, Pium-hi, Iguatama, Perdigão, Passa Tempo e Montes Claros.

Os alevinos foram produzidos no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias.

De acordo com o chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Três Marias, Julimar dos Santos Sousa, a perspectiva para 2022 é superar a meta inicial de peixamento.

“Esse ano a nossa meta era de 200 mil, e superamos os 300 mil. No ano que vem, esperamos superar estes números”, afirma, ressaltando que o recorde será acompanhado pelo aumento e variedade de espécies.

A ação, segundo Julimar, é importante para Montes Claros e região para favorecer a conscientização dos envolvidos a respeito da preservação da flora e fauna nativas.
 
TRÊS FOCOS 
A ação da Codevasf se divide em três grandes áreas socioambientais. “Na questão social, propicia produção de proteína animal àqueles que vivem ou fazem uso dos recursos pesqueiros. Na questão ambiental, ela visa a recomposição da espécie nativa ou devolver esta espécie ao ambiente de onde não mais tem a ocorrência dele. Integrado ao programa ambiental, que faz com que essas ações promovam a educação da comunidade escolar e também da população, em geral, para entender o procedimento e a importância da ação e como é importante que eles participem e sintam parte deste momento”, explica Julimar.
 
PIRACEMA
Os alevinos soltos nos rios e córregos terão tempo para se desenvolver, já que estamos no período da piracema – que se estende de novembro a fevereiro –, em que a pesca é proibida.

“Além do fato de que os peixes ainda não estão no tamanho de captura para consumo”, alerta Julimar dos Santos.

Os pescadores devem ficar atentos à legislação que o Estado e municípios estabeleceram a respeito de anzóis e tarrafas. “Dependendo do local, há restrições ao uso desses apetrechos”, alerta. Em Minas, orienta Julimar, não existe impedimento de uso de nenhuma dessas ferramentas.
 
GRANDIOSA
O peixamento integra uma ação de peso para a Codevasf, pois envolve socorro a todo o ambiente. “É de suma importância, pois é uma ação continuada de estabilização da bacia hidrográfica”, ressalta Julimar.

A iniciativa abrange tudo o que está em volta da bacia hidrográfica do Velho Chico, como a mata ciliar. “Sem essa interação simbiótica, o rio estará comprometido na sua integralidade. Sem os peixes, o rio morre!”, alerta.