Enquanto o governo federal não decide se irá reeditar alguma forma de auxílio financeiro para as famílias mais pobres, em meio ao recrudescimento da pandemia, milhares de mineiros temem entrar em situação ainda mais crítica do que a vivida em 2020. 

Segundo o IBGE, até novembro, praticamente quatro a cada dez lares em Minas tinham ao menos um integrante recebendo algum tipo de auxílio oferecido pela União. Hoje, essas pessoas estão a ver navios.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o novo auxílio emergencial para os trabalhadores informais pode começar a ser pago em março e deve durar entre três e quatro meses. 

Segundo ele, o valor não está definido e o início dos repasses está em negociação com o Congresso Nacional, que precisa aprovar um projeto de lei instituindo novamente a medida.

O ministro da economia, Paulo Guedes, chegou, inclusive, a cogitar que o valor ficasse em, no máximo, R$ 300. A preocupação, contudo, seguia a mesma do final do ano passado: de onde tirar recursos para tal ajuda, que, em 2020, somou mais de R$ 320 bilhões? 

Vale lembrar que, ao longo dos primeiros nove meses da pandemia, os valores dos benefícios foram caindo. Em maio, por exemplo, a média do auxílio chegava a R$ 812 por domicílio. Em novembro, o repasse caiu para R$ 586. 

Para a economista Mafalda Ruivo Valente, das Faculdades Promove, com o desemprego em alta – aproximadamente 12,2% dos mineiros (1,27 milhão de pessoas) estavam sem trabalho, no final do ano passado –, a renovação do auxílio seria, sem dúvida, uma saída. 

“É uma medida que chegaria para salvar a comida no prato das pessoas”, diz.
 
CONTAS PÚBLICAS
A criação do novo auxílio pode, contudo, trazer grande impacto financeiro. O IBGE estima que o endividamento do Estado brasileiro já esteja próximo dos 100% do PIB. Sem espaço e ambiente político para a criação de novos impostos, a saída do governo poderia ser ultrapassar o teto de gastos, emitindo papéis e títulos públicos (ou seja, dívidas) que seriam vendidos no mercado para pagar a conta. Ou, ainda, transferir orçamento de outras áreas. 

Para o economista Felipe Leroy, a reedição causaria, basicamente, dois problemas: um rombo maior nas contas públicas e uma “ilusão monetária” nos beneficiados. “O auxílio precisa ser renovado, mas, em si, é maléfico, porque aumenta o déficit do governo e dá sensação a quem o recebe de que pode gastar de qualquer maneira”, explica.