O mercado de automóveis de passeio e comerciais leves registrou alta de 10,3% em maio, no comparativo de abril, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Em números, o percentual corresponde a um acréscimo de 5.284 unidades, que pode parecer modesto, mas diante do atual cenário é um sinal positivo. Afinal, é indicativo que, mesmo que atordoado pelo tombo, o setor mostra reação.

Assim, maio registrou 56.639 licenciamentos, sendo que 65,3% das negociações foram no varejo e 34,6% no modelo vendas diretas. Para se ter uma ideia, a média do ano para esse tipo de aquisição entre pessoas jurídicas representa 44% do mercado. A queda da demanda por esse modelo de negócio é um reflexo da economia paralisada devido à pandemia do coronavírus.

No entanto, quando se compara com o desempenho de 2019, maio representou uma queda de 76%. Ou seja, foi vendido apenas um quarto do que foi licenciado em maio do ano passado. Quando se analisa os cinco primeiros meses, o tombo é menor – a retração é de 38,1%.

Em entrevista exclusiva para o HD Auto, o diretor-adjunto de Marketing da Hyundai, Jan Telecki, prevê que a retração do volume projetado para 2020 será de 25%. No entanto, deixa claro que é preciso que medidas de governo para aquecer a economia de fato se concretizem. 

“Os números de maio são indicativos de uma recuperação. Mas é preciso que as medidas de governo sejam eficazes. Esse dinheiro todo que o governo está disponibilizando precisa chegar efetivamente à população e, infelizmente, está demorando para acontecer, e não reverte no comércio e mantém a locomotiva (da economia) parada”, analisa o executivo.
 
ISOLAMENTO
No entanto, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, atribui a melhora no desempenho ao relaxamento das medidas de isolamento, que permitiu a reabertura de concessionárias em algumas praças. No entanto, o representante da entidade reclama das medidas adotadas no Estado de São Paulo e também na metrópole, que representam um quarto do mercado e deverão iniciar a abertura gradual das revendas. 

“Observamos que a abertura parcial de alguns Detrans, que começaram a operar com agendamentos, as vendas não presenciais dos Concessionários, além da liberação de alguns municípios para abertura plena das concessionárias, resultaram nesta melhora, ainda que pequena, mas já como a primeira sinalização positiva, para voltarmos à normalidade. Se o Estado e a capital paulista estivessem operando normalmente, os resultados seriam ainda mais expressivos, já que São Paulo representava, antes da crise, mais de 26% das vendas de veículos e passou a representar apenas 0,9%, em abril, e 1,6% em maio”, explicou Assumpção Júnior. 
 
MAIS VENDIDOS
Na disputa pela liderança do mercado, por marcas, a General Motors segue na primeira colocação em participação. A gigante de Detroit acumula 17,9% dos emplacamentos. Em seguida surge a Volkswagen, com 16% do bolo e a Fiat fecha o pódio com 14,4%. Nas quarta e quinta posições figuram Ford (8,2%) e Hyundai (8,1%).

Entre os modelos mais vendidos, o Onix se manteve inabalável, com 3.292 emplacamentos; num degrau abaixo, o HB20, que anotou 2.218 unidades. A terceira posição ficou com a veterana Fiat Strada, com 1.983 emplacamentos. Vale lembrar que a veterana está em fim de carreira, já que a segunda geração do utilitário será lançada no dia 26 de junho. 

Em quarto lugar figura o Renault Kwid, com 1.818 unidades, e o Ford Ka fecha o “Top 5”, com 1.719 licenciamentos. No acumulado do ano, Onix anota 54.036 unidades, seguido pelo sedã Onix Plus (28.416), HB20 (27.052), Ka (26.180) e Gol (20.919).